Pe. Fioravante Agostini, 83 anos

Quando cheguei ao Seminário de Tortona, tive a felicidade de encontrar quem me falasse tão bem de Dom Orione que fiquei encantado mesmo sem conhecê-lo, pois nesse período ele estava na Argentina. Durante todo o ano, eu me perguntava: “E Dom Orione, como é ele?”

Finalmente, chegou na noite de 27 de agosto de 1937. Escolhi um lugar estratégico para poder cumprimentá-lo: a entrada da capela. Em meio a uma algazarra de jovens, ele parou diante de mim. Nunca me esqueci nem me esquecerei de seu extraordinário olhar!

(Soluçando, continua o Pe. Fioravante:) Aqueles olhos!... eram de uma doçura, de uma bondade, de uma paternalidade, digo mais, de uma maternalidade que não sei explicar-lhe.

Senti-me examinado até os rins. Abri meu coração para que Dom Orione pudesse entrar livremente nele. E Dom Orione entrou em mim de uma maneira que não consigo explicar. “Trata de ser bom e reza à Virgem, reza-Lhe muito!” – disse-me ele.

Pe. Giovanni Bianchin, 78 anos

Meu primeiro enlevo por Dom Orione foi quando o conheci em 30 de outubro de 1937. Quis a Providência que eu notasse logo seu rosto muito amável e seus grandes olhos penetrantes.

No final de uma curta conversa, decidi-me: “Quero ser sacerdote como Dom Orione”. Olhando-me e acariciando-me, ele respondeu: “E eu estou contente de que venhas comigo”.

Passaram-se quase 70 anos e sinto-me muito orgulhoso de ser filho espiritual do grande Dom Orione. Agradeço a graça de ter encontrado um Santo. Porque o homem Santo nos ajuda a descobrir os valores da vida, a escolher o bom caminho, a ter uma carga de confiança, de bom humor e também de otimismo.

Pe. Clemente Perlo, 89 anos

Minha primeira impressão sobre Dom Orione foi sobre sua paternalidade. Eu era órfão e vi como ele, como um pai, cuidava de meus problemas. Quando ele viajava a Roma, hospedava-se em casa de minha mãe. Foi aí que compreendi a grandeza de Dom Orione.

Frequentemente, vinham personalidades do mundo eclesiástico, político e social, para consultá-lo, aconselhar-se com ele. Lembro-me, por exemplo, de que no final da década de 1920, ele foi muito consultado por várias autoridades a respeito da assinatura da Concordata de Latrão.

Pe. Pierino Stefani, 92 anos

Quando conheci nosso Fundador, eu tinha mais idade que meus irmãos de vocação. Depois de passar cinco anos como missionário na África, uma enfermidade me fez compreender que lá não era o meu lugar. Retornando à Itália, recuperei a saúde. Um tio meu, sacerdote, falou-me de Dom Orione.

No outono de 1939, parti para encontrar-me com ele. Fui atendido por Dom Sterzio, seu secretário. Convidou-me a sentar-me e começamos a conversar. Pouco depois, entrou Dom Orione.

Só posso repetir o que já foi dito aqui: “Seus olhos! Seus olhos eram toda a sua vida!” Ao saber que eu vinha de Trento, disse: “Estive em Trento. Ali foi celebrado o famoso Concílio de Trento. Na catedral, ajoelhei-me diante do crucifixo do Concílio e fiz a doação total de mim mesmo à Igreja”.

Todos os clérigos presentes estavam atentíssimos às suas palavras. Ele continuou: “Nossa dedicação está toda ali. Nós devemos estar na Igreja com o Papa, centro de unidade. Porque, se não está o Papa, tudo se racha!” E dirigindo-se aos clérigos, acrescentou: “Prestai atenção, porque vos quero assim; quero-vos firmes e fiéis à Igreja!”

Noutra ocasião, houve um episódio com as monjas. Voltando de Gênova, contou-nos que tinha ido inaugurar uma residência para damas nobres empobrecidas.

Prosseguindo, disse: “Quero que as monjas as sirvam, não, porém, vestidas de monjas, mas sim com um lindo chapéu na cabeça, com belas flores, de modo que essas damas nobres empobrecidas não pensem estarem sendo servidas por monjas, mas sim por senhoras”.

Ouvindo isto, pensei: “Somente um Santo é capaz de fazer algo deste gênero!”