Imaginemos uma noite de verão. Uma brisa discreta, mas suficiente para abrandar o calor, sopra ora com mais força, ora com menos, tornando o ambiente muito ameno.
As horas passam e, conforme a noite se adensa, um belo espetáculo vai nos sendo oferecido: no límpido e escuro céu aparecem as estrelas.
Quem não se encantará ao admirá-las? Quem não ficará extasiado com seu delicado brilho e sua ordenação nas alturas siderais?
“Cœli enarrant gloriam Dei, et opera manuum eius annuntiat firmamentum” (Sl 18, 2). O céu material sempre foi um dos elementos que mais atraiu a atenção das almas contemplativas ao longo dos séculos.
Ele remete ao Criador e eleva a alma às realidades sobrenaturais. Serve também de sinal para os homens, marcando sua História.
Inúmeros exemplos poderíamos citar, a começar pelo de Abraão, a quem o próprio Deus prometeu tornar sua descendência mais numerosa do que os astros (cf. Gn 22, 17).
Caberia também mencionar a estrela de Belém, inerrante guia dos Magos até a Gruta do Salvador. O que teria sido deles sem esse astro?
E mais, o que seria do próprio céu se não houvesse estrelas?
Elas são para o firmamento sombrio o que a esperança é para as nossas almas: um resplendor que indica o caminho a seguir, uma promessa de algo que se realizará plenamente e um antegozo da “ressurreição” do Astro Rei.
Com efeito, antes de ressurgir em todo o seu esplendor, ele é precedido por uma estrela maior e mais brilhante do que as outras.
A Stella Matutina é símbolo da Virgem Santíssima, que trouxe Deus ao mundo e cuja esperança na Ressurreição sustentou toda a Igreja nos dias que Nosso Senhor passou no sepulcro.
Maria é a inefável Luz que brilha no Céu anunciando a vitória de Deus sobre a História! E todo homem, à semelhança de um navegante, deve estar sempre atento a esse radiante farol celeste e pôr n’Ela toda a sua confiança.
Ó tu, quem quer que sejas, que te sentes longe da terra firme, arrastado pelas ondas deste mundo, no meio das borrascas e tempestades, se não queres soçobrar, não tires os olhos da luz desta Estrela. […]
Seguindo-A, não te transviarás; rezando a Ela, não desesperarás; pensando n’Ela, evitarás todo o erro. Se Ela te sustenta, não cairás; se Ela te protege, nada terás a temer; se Ela te conduz, não te cansarás; se Ela te é favorável, alcançarás o fim.1
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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