Dois Sacramentos indissoluvelmente unidos
O mistério de santificação e amor, obra do Espírito Santo, pelo qual o pão e o vinho se convertem no Corpo e no Sangue de Cristo, atua também na pessoa do ministro no momento da ordenação sacerdotal.
Há, pois, uma reciprocidade específica entre a Eucaristia e o Sacerdócio, que remonta ao Cenáculo: trata-se de dois Sacramentos nascidos juntos e que estão indissoluvelmente unidos até o fim do mundo.
Estamos diante do que chamei de “apostolicidade da Eucaristia”. O Sacramento Eucarístico – como o da Reconciliação – foi confiado por Cristo aos Apóstolos e transmitido por estes e seus sucessores, de geração em geração.
Ao celebrar a Ceia pascal e instituir a Eucaristia, o Divino Mestre cumpriu sua vocação. Ao dizer: “Fazei isto em memória de Mim”, pôs o caráter eucarístico em sua missão e, unindo os sacerdotes consigo na comunhão sacramental, os encarregou de perpetuar aquele gesto santo.
Enquanto pronunciava aquelas palavras: “Fazei isto…”, pensava também nos sucessores dos Apóstolos, que haveriam de prolongar sua missão, distribuindo o alimento da vida até os extremos confins da terra.
Assim, queridos irmãos sacerdotes, no Cenáculo fomos de certo modo chamados pessoalmente, um a um, “com amor de irmão” (Prefácio da Missa Crismal), para receber das mãos santas e veneráveis do Senhor o Pão Eucarístico, que se há de repartir como alimento do Povo de Deus, peregrino no tempo até a Pátria eterna.
Excerto de Carta aos Sacerdotes, Quinta-Feira Santa, 2004.
Só uma Igreja enamorada da Eucaristia gera vocações sacerdotais
Ao contemplar a Cristo que institui a Eucaristia, tomamos novamente consciência da importância dos presbíteros na Igreja e de sua relação com o Sacramento Eucarístico.
Só uma Igreja enamorada da Eucaristia gera, por sua vez, santas e numerosas vocações sacerdotais. E o faz através da oração e do testemunho de santidade,oferecido de maneira especial às novas gerações.
Na escola de Maria, mulher eucarística, adoremos a Jesus verdadeiramente presente nos humildes sinais do pão e do vinho. Supliquemos-Lhe que não cesse de chamar ao serviço do altar sacerdotes segundo seu coração.
Peçamos ao Senhor que não falte nunca ao Povo de Deus o Pão que o sustenta durante a peregrinação terrena. Que a Virgem Santa nos ajude a redescobrir com admiração que toda a vida cristã está ligada ao “mistério da fé” que nesta tarde celebramos solenemente.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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