Filho caríssimo, eu te exorto, em primeiro lugar, a que ames o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com todas as tuas forças; sem isto não há salvação.

Filho, deves evitar tudo o que sabes ser ofensa a Deus, isto é, todo o pecado mortal, de tal modo que prefiras sofrer todos os tormentos do martírio a cometer um só pecado mortal. […]

Sê misericordioso para com os pobres, os infelizes e os aflitos e, segundo as tuas posses, ajuda-os e reconforta-os. Dá graças a Deus por todos os seus benefícios, a fim de seres digno de receber outros maiores.

Sê justo para com os teus súditos, sem nunca te desviares da linha reta da justiça, nem para a direita nem para a esquerda; coloca-te sempre mais do lado do pobre que do rico, até averiguares com certeza de que lado está a verdade.

Sê diligente em procurar que todos os teus súditos vivam em paz e justiça, sobretudo tratando-se de pessoas eclesiásticas e religiosas.

Sê dedicado e obediente para com a nossa mãe, a Igreja Romana, e para com o Sumo Pontífice, nosso pai espiritual. Esforça-te por erradicar do teu território toda a espécie de pecado, principalmente as blasfêmias e as heresias.

Filho caríssimo, para terminar, eu te dou toda a bênção que um pai piedoso pode dar a seu filho. A Santíssima Trindade e todos os Santos te guardem de todo o mal.

O Senhor te conceda a graça de cumprires sempre a sua vontade, servindo-O e honrando-O de tal modo que depois desta vida todos nós possamos vê-Lo, amá-Lo e louvá-Lo sem fim.

Amém.

 

Excertos do testamento espiritual de São Luís IX.