Arautos do Evangelho: Por que o senhor – sendo italiano, ou seja, ocidental – optou pelo rito bizantino, que é oriental?
Pe. Marino: Realmente, nada tenho de bizantino em minhas origens. Porém, quando estudava no Pontifício Seminário Romano Menor, todos os alunos foram em conjunto ao Russicum, o Pontifício Colégio Russo.
Ao tomar contato com aquela realidade, senti-me profundamente atraído e quis conhecer a mentalidade, a língua, o pensamento, o espírito dessa grande terra que deu tantos Santos à Igreja.
Mas movia-me, sobretudo, um aspecto espiritual. Para usar a expressão do Papa, a Igreja Católica “respira” com dois “pulmões”: o do Ocidente e o do Oriente.
Eu considerei que, sendo apenas sacerdote de rito latino, talvez “respirasse” com dificuldade, e então decidi “respirar” completamente, e fui estudar no Russicum.
AE: Portanto, o senhor não é um sacerdote de rito romano, o rito de todo o Ocidente?
Pe. Marino: No tempo em que estudei no Pontifício Colégio Russo, todos os seminaristas, independente de seu rito de origem, eram ordenados no rito bizantino-eslavo.
Assim, antes de receber as Ordens Menores, eu mudei de rito, através de um trâmite junto à Congregação para as Igrejas Orientais. Depois da ordenação sacerdotal recebi permissão para celebrar também no rito romano. Pertenço, portanto, a ambos os ritos.
AE: Qual a origem do Pontifício Colégio Russo?
Pe. Marino: Na origem do Russicum está a Mãe de Deus. Em Fátima, ela enviou uma mensagem à Rússia, que de maneira particular a preocupava naquele ano de 1917, quando esse país iniciava um processo de afastamento da paz mundial.
Com suas maternais palavras, Nossa Senhora colocava o mundo em guarda diante dos perigos que derivavam do pensamento e da filosofia da qual a Rússia passava a ser a promotora.
Seguindo esse espírito profético das aparições de Fátima, a Igreja Católica consolidou o propósito de enviar missionários de rito bizantino – portanto, segundo a mentalidade e a tradição cultural russa – às zonas de perseguição que estavam sob um regime ateu.
Para preparar esses missionários o Papa Pio XI fundou, em 1929, o Pontifício Colégio Russo.
AE: Além do “Russicum”, o senhor estudou em outros institutos?
Pe. Marino: Estudando no Russicum, eu continuei minha formação filosófica na Gregoriana, e depois a teológica no Pontifício Instituto Santo Anselmo. Posteriormente fiz a especialização em Direito Canônico Oriental.
Também cursei a Pontifícia Academia Eclesiástica, por três anos, mas não quis seguir a carreira diplomática, preferindo servir a Diocese de Roma, junto ao Vicariato de Sua Santidade. Atualmente sou Adjunto para a Vida Consagrada.
AE: O senhor escreveu diversas ladainhas, inclusive já as reuniu em um livro. Nelas estão presentes traços das duas espiritualidades, a ocidental e a oriental?
Pe. Marino: É uma grande paixão do Oriente venerar os Santos, exaltando suas obras e proclamando suas gestas.
Para fazer essas ladainhas eu uni minha preparação oriental ao substrato latino. Nelas está presente a linguagem à qual os fiéis orientais estão habituados, e os fiéis latinos nelas reconhecem o seu próprio estilo.
Exatamente essa é a ideia: colocar à disposição de todos um ponto de encontro comum das duas mentalidades, encontro na oração e na espiritualidade.
AE: Qual das ladainhas o senhor prefere?
Pe. Marino: Escrevi com grande fadiga e intensidade todas as ladainhas do livro, de modo que quero bem a todas. Digo, porém, que prefiro as da Virgem Maria.
Eu pensava que não conseguiria escrever ladainhas d’Ela, pois a Ladainha Lauretana é uma tal obra-prima, tão completa, que qualquer coisa é pequena diante dela. Porém, eu quis fazer minha homenagem a Nossa Senhora, e decidi escrevê-las.
As ladainhas são longas, mas a ideia é exatamente essa: fazer as pessoas meditarem. Uma coisa breve não daria noção da personalidade e da grandeza do Santo.
Além do que, vale o ensinamento do Santo: De Maria nunquam satis! De Maria nunca poderemos saciar-nos.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 296, Agosto 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 295, Julho 2026
Quem são os Arautos do Evangelho?
Auxílio dos Cristãos
Músicas Natalinas