Quem pretende fazer oblação inteira e perfeita de si mesmo precisa oferecer, além da vontade, o entendimento, de modo a ter não só um querer, mas também um mesmo sentir com o Superior, sujeitando seu próprio juízo ao dele, tanto quanto a devota vontade pode inclinar o entendimento.
Pois este – embora não tenha tanta liberdade quanto a vontade e dê naturalmente seu assentimento ao que julga ser verdadeiro – pode tender mais para um lado que para outro em muitas coisas nas quais a evidência da verdade conhecida não o obriga.
E nestas, quem deseja efetivamente obedecer deve propender a sentir o que seu Superior sente.
E está certo, pois a obediência é um holocausto no qual, pela mão de seus ministros, o homem se oferece por inteiro, sem nada excluir, no fogo da caridade a seu Criador e Senhor.
E por ser uma entrega total de si mesmo – pela qual a pessoa se despoja de tudo para ser possuída e governada pela Divina Providência por meio do Superior –, não se pode dizer que a obediência abrange apenas a execução para efetivar-se e a vontade para satisfazer-se.
Com efeito, ela inclui também o juízo para sentir o que o Superior ordena, tanto quanto este pode inclinar-se pelo vigor da vontade, como acima foi dito.
Prouvesse a Deus nosso Senhor que esta obediência de entendimento fosse compreendida e praticada por todos os religiosos tanto quanto ela lhes é necessária e agradável a Deus.
E digo ser necessária porque, como nos corpos celestes, para receber o movimento e o influxo do superior, precisa o inferior estar-lhe sujeito e subordinado de forma ordenada e conveniente.
Assim também na movimentação de uma criatura racional por outra: a que é movida precisa estar sujeita e subordinada, a fim de receber a influência e a virtude daquela que a move.
E esta sujeição e subordinação não se realizam sem a conformidade do entendimento e da vontade do inferior ao Superior.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 295, Julho 2026
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