
Ordenações presbiterais e diaconais
Novos servos para a messe
Uma das realidades mais pungentes de nossos dias é, sem dúvida, a orfandade espiritual na qual se encontram milhões e milhões de pessoas. Em todos os países abundam
almas que não encontram rumo para suas vidas, alívio em suas dores ou apoio em suas perplexidades, por falta do esteio inabalável que supõe uma fé viva em Nosso Senhor Jesus Cristo.
Assim, em poucas épocas da História houve tanta necessidade de operários para a messe do Senhor, e também tanto se esperou daqueles que são chamados ao ministério sacerdotal. Mais do que nunca, cabe a eles serem zelosos pastores, sempre dispostos a servir o povo de Deus segundo o exemplo sublime do único Mestre, de cuja missão participam.
Foi nessa perspectiva que se desenvolveram, nos dias 21 e 22 de abril, as ordenações de 11 diáconos e 11 sacerdotes dos Arautos do Evangelho, realizadas na Basílica de Nossa Senhora do Rosário, em Caieiras, Grande São Paulo. Entre os ordenandos, havia representantes da Índia, de Moçambique, da Espanha, da Nicarágua, da Costa Rica, da Venezuela, da Colômbia, do Equador, do Chile, do Paraguai, do Uruguai e do Brasil. Essa variedade de nações conferiu às cerimônias uma acentuada nota de universalidade da Fé Católica.
“Olhar para aqueles que são mais frágeis”
A ordenação diaconal do dia 21, realizada num clima de expectante alegria, foi presidida por Dom Sérgio Aparecido Colombo, Bispo de Bragança Paulista, diocese onde se encontra o seminário dos Arautos do Evangelho.
Em sua homilia, Dom Sérgio exortou os novos clérigos a exercerem com valor as três diaconias: a da Palavra, prestando “cuidadosa atenção à catequese dos fiéis nas diversas etapas da existência cristã, de forma a ajudá-los a conhecer a Fé em Cristo, reforçá-la com a recepção dos Sacramentos e exprimi-la na sua vida pessoal, familiar, profissional e social”; a da Liturgia, tendo sempre viva consciência de que toda celebração litúrgica “é ação sagrada por excelência”; e a da caridade, mostrando-se “sempre misericordiosos, ativos, progredindo na verdade do Senhor, o qual Se fez servo de todos”.
No fim da cerimônia, as palavras do diácono moçambicano Arão Otílio Gabriel Mazive exprimiram o profundo efeito produzido pela exortação de Dom Sérgio na alma dos recém ordenados: “Quero fazer minhas as palavras proferidas em vosso substancioso sermão, segundo as quais é dever do diácono olhar para aqueles que são mais frágeis, os necessitados, os pobres, os doentes. Elas tocaram a fundo nossos corações e vão ecoar no interior de todos nós, diáconos, como vindas do próprio Jesus Cristo Nosso Senhor”
O Bom Pastor dá sua vida pelas suas ovelhas
No dia seguinte, teve lugar a cerimônia de ordenação presbiteral, presidida por Dom Benedito Beni dos Santos, Bispo de Lorena, SP. Sua homilia, de grande densidade doutrinária, será reproduzida na íntegra no próximo número da revista Lumen Veritatis, publicada pelo Instituto Filosófico Aristotélico Tomista e pelo InstitutoTeológico São Tomás de Aquino. Nela, Dom Beni discorreu sobre a figura do Bom Pastor que conhece as suas ovelhas e está disposto a dar vida por elas.
Pelo Sacramento da Ordem, explicou Dom Beni, cada candidato torna- -se “mestre da Palavra, ministro dos Sacramentos e pastor da comunidade cristã”. Como mestre da Palavra, a eficácia de suas atividades evangelizadoras dependerá da coerência de sua vida com o seu ensinamento. Como ministro dos Sacramentos, especialmente o da Penitência, o sacerdote “precisa ter conhecimento da alma humana, espiritualidade, vida de oração e, sobretudo, sentimento moral, sofrer com o pecado do mundo”. O sacerdote, acrescentou, “não pode deixar um só dia de celebrar a Eucaristia; a Eucaristia deve ser o centro de sua vida”. Por fim, como pastor, ele deve cuidar com humildade do seu rebanho, socorrer os pobres, visitar os doentes. “O sacerdote é pastor sobretudo quando vai em busca da ovelha perdida”, acentuou.
Testemunha ilustre desta cerimônia foi o Arcebispo Jean-Louis Bruguès, OP, Arquivista e Bibliotecário da Santa Romana Igreja, que concelebrou a Eucaristia e assistiu à ordenação dos novos presbíteros. Reputado especialista em Teologia Moral, encontrava-se de passagem no Brasil para ministrar um curso extracurricular intitulado “Pequena teologia da imagem de Deus” e quis prestigiar o ato com sua presença.
A serviço da Igreja
Em sinal de gratidão, logo após terem sido ordenados, diáconos e presbíteros se dirigiram a Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias para manifestar-lhe seu reconhecimento pela formação, o exemplo e o estímulo à prática da virtude que dele sempre receberam. Formação, exemplo e virtude que a partir desse dia põem totalmente a serviço da Igreja no seio da Sociedade Clerical de Vida Apostólica de Direito Pontifício Virgo Flos Carmeli, o ramo sacerdotal dos Arautos do Evangelho.
Zelosos operários – Ao exercer o ministério para o qual foram chamados, diáconos e sacerdotes devem procurar agir como Agradecimento ao fundador – Após serem ordenados diáconos e sacerdotes se aproximavam do fundador para agradecer a Escolhidos para servir – Em união com os seus irmãos clérigos dos Arautos do Evangelho, e com todos os presbíteros das dioceses em que atuam, os novos sacerdotes e diáconos põem-se ao serviço da Igreja e do próximo,
zelosos operários na messe do Senhor.
formação, exemplo e estímulo à prática da virtude. Na
foto, o Diác. David Werner Ventura, EP, de Lages (SC).
dispostos a exercer seu ministério onde a obediência os mandar.
Celebrantes – As ordenações diaconais foram presididas por Dom Sérgio Aparecido Colombo, Bispo Diocesano de Bragança Paulista (foto à esquerda) e as
sacerdotais por Dom Benedito Beni dos Santos, Bispo Diocesano de Lorena, acompanhado por Dom Jean-Louis Bruguès, OP, Arquivista e
Bibliotecário da Santa Romana Igreja (foto à direita).
De quatro continentes – Entre os 11 diáconos ordenados no dia 21, havia representantes da Ásia, África, América e Europa. Nas fotos: Diác. Kirthan
Blasius Carlo, EP, da Índia; Diác. Arão Otílio Gabriel Mazive, EP, de Moçambique; e Diác. Antonio Jakoš Ilija, EP, da Eslovênia.
Alegria fraterna – No Corpo Místico de Cristo, a alegria de um se transmite para todos. Nas fotos, Pe. Pablo Beorlegui Vicente, EP, do Chile (foto à esquerda),
e Pe. César Javier Díez Juárez, EP (foto à direita), da Espanha, recebem os cumprimentos dos seus irmãos de hábito.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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