“Eu te estabeleci para seres luz das nações e levares a salvação até os confins da Terra” (At 13, 47; cf. Is 49, 6). A Palavra do Senhor nos mostra a vocação missionária da Igreja, chamada por Jesus a anunciar o Evangelho.

Essa foi a missão dos Apóstolos e dos discípulos desde o início das perseguições, quando fugiram de Jerusalém (cf. At 8, 1-3). A mesma missão foi assumida por uma multidão de missionários que levaram o Evangelho ao Novo Mundo.

“Doze apóstolos franciscanos”

Um desses pregadores da Boa Nova foi o franciscano espanhol Frei Junípero Serra (1713–1784). Depois de deixar sua pátria, dedicou-se à evangelização no México e, posteriormente, na Califórnia, onde desenvolveu uma intensa obra missionária. Sua atuação nos traz à memória os primeiros “doze apóstolos franciscanos”, pioneiros da Fé Cristã no México.

Frei Junípero foi protagonista de uma nova primavera de evangelização naquelas imensas terras que, havia cerca de duzentos anos, vinham sendo percorridas, da Flórida à Califórnia, por missionários provenientes da Espanha, muito antes da chegada dos peregrinos do Mayflower ao litoral norte do Atlântico.

Na vida e no exemplo de Frei Junípero sobressaem três aspectos: seu ardor missionário, sua devoção mariana e seu testemunho de santidade.

Paixão por anunciar o Evangelho “ad gentes”

Em primeiro lugar, foi um missionário infatigável.

O que terá levado Frei Junípero a abandonar sua querida pátria espanhola, sua família, a cátedra universitária e sua comunidade franciscana de Maiorca, para partir para terras tão distantes?

Sem dúvida, nada o moveria senão a paixão por anunciar ad gentes o Evangelho; ou seja, o impulso de um coração desejoso de compartilhar com os mais afastados o dom do encontro com Cristo – o dom que ele próprio recebera e experimentara em sua plenitude de verdade e de beleza.

Como Paulo e Barnabé, como os discípulos em Antioquia e em toda a Judeia, ele estava cheio de alegria e do Espírito Santo para difundir a Palavra do Senhor.

Lançaram-se, movidos pela graça do Espírito Santo

Esses discípulos, que encontraram Jesus, Filho de Deus, e que por meio d’Ele conheceram o Pai misericordioso, lançaram-se rumo a todas as partes para dar testemunho da caridade.

Às vezes, detemo-nos para examinar meticulosamente suas virtudes e, sobretudo, suas limitações e misérias.

Pergunto-me, porém, se hoje somos capazes de responder com a mesma generosidade e com idêntica coragem ao chamado de Deus, que nos convida a deixar tudo – tudo! – para adorá-Lo, segui-Lo, encontrá-Lo e anunciá-Lo àqueles que não conhecem a Cristo e, por isso, não se sentem abraçados por sua misericórdia.

O testemunho de Frei Junípero Serra nos convoca, mais uma vez, a nos comprometermos pessoalmente com a missão salvífica, enraizada no Evangelii gaudium, na alegria do Evangelho.

Devoção a Nossa Senhora de Guadalupe

Em segundo lugar, Frei Junípero confiou à Santíssima Virgem Maria seu compromisso missionário.

Sabemos que, antes de partir para a Califórnia, quis consagrar sua vida a Nossa Senhora de Guadalupe e pedir-Lhe, para a missão que estava prestes a iniciar, a graça de abrir o coração dos colonizadores e dos indígenas.

Nessa súplica, podemos ainda contemplar o humilde frade ajoelhado diante da “Mãe do mesmíssimo Deus verdadeiro”, a “Morenita”, que trouxe seu Filho ao mundo.

A imagem de Nossa Senhora de Guadalupe estava presente nas 21 missões que Frei Junípero fundou ao longo da costa californiana.

Desde então, Nossa Senhora de Guadalupe tornou-se a Padroeira de todo o continente americano. Não é possível separá-La do coração do povo americano. Ela constitui, efetivamente, a raiz comum desse continente.

Mais ainda, a missão continental hodierna está confiada Àquela que é a primeira e santa discípula missionária, presença e companhia, fonte de conforto e de esperança; Àquela que está sempre atenta para proteger seus filhos americanos.

Que um impetuoso vento de santidade percorra a América

Em terceiro lugar, irmãos e irmãs, contemplemos o testemunho de santidade de Frei Junípero para que todo o povo americano redescubra a própria dignidade, consolidando cada vez mais sua adesão a Cristo e à Santa Igreja.

Na Comunhão dos Santos, especialmente dos Santos americanos, acompanhe-nos e interceda por nós Frei Junípero Serra, juntamente com tantos outros que se destacaram por seus diversos carismas. E tantos outros Santos e mártires que rezam diante do Senhor por seus irmãos e irmãs que ainda peregrinam nesta terra.

Houve santidade na América! Muita santidade disseminada. Que um impetuoso vento de santidade percorra todas as Américas!

Cheios de confiança nas promessas de Jesus, peçamos a Deus esta particular efusão do Espírito Santo. Sejamos exclusivamente discípulos missionários de Jesus.

Invocação ao Senhor da História pelo povo americano

Roguemos a Jesus, Senhor da História, que a vida de nosso continente americano aprofunde cada vez mais suas raízes no Evangelho que recebeu; que Cristo esteja cada vez mais presente na vida das pessoas, das famílias, dos povos e das nações, para a maior glória de Deus.

E que essa glória se manifeste na cultura da vida, na fraternidade, na solidariedade, na paz e na justiça.

Ó Senhor Jesus, sejamos exclusivamente teus discípulos missionários e teus humildes cooperadores, para que venha o teu Reino!

Tendo no coração esta invocação, peçamos a intercessão de Nossa Senhora de Guadalupe e também a de Frei Junípero e dos outros Santos e Santas americanos, para que nos conduzam e guiem à glória eterna.