Vejamos uma dessas vezes.
Nosso Senhor quis manifestar sua misericórdia de modo a não termos dúvida: ela é plena, mas de uma plenitude divina que ultrapassa nossa capacidade humana de excogitar como Ele é misericordioso. Tomemos como exemplo a memória de São Longinos.
O Evangelho narra (Jo 19, 34) que “um dos soldados abriu-lhe [a Jesus] o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água”. Os demais dados sobre o Santo encontram-se em documentos da época, embora não façam parte da Sagrada Escritura⁽¹⁾.

Narram eles que Longinos (cujo nome vem da palavra grega que significa “lança”) nasceu um Lanciano, na Itália. É impressionante a “coincidência”, pois é nesta cidade que se dá o famoso milagre da hóstia transformada em carne e do vinho em sangue, venerados até hoje.
Alistou-se no exercito romano e foi enviado para a Judeia, presenciou a crucifixão e morte de Jesus. Foi-lhe ordenado transpassar o corpo do Salvador para certificarem-se que já estava morto.
Como soldado, Longinos obedeceu, embora já tivesse aceitado a Jesus como o Messias. E aqui vem a suma misericórdia: tinha as vistas defeituosas e, ao retirar a lança parte do sangue e da água caiu sobre ele, de modo particular nos olhos.
Mesmo depois de morto Jesus o curou de corpo e alma: teve as vista saradas e sua alma contrita pelas faltas cometidas, convertendo-se num discípulo, passando a pregar o Evangelho. Foi martirizado devido a sua fidelidade Àquele que transpassara.
Pode-se dizer ter sido este o primeiro milagre do Sagrado Coração de Jesus: curou e converteu a quem O tinha dilacerado. A chaga que contemplamos no Coração de Jesus foi aberta por São Longinos e Jesus, em sua misericórdia, abriu-lhe as portas do Paraíso.
Sublime lição de misericórdia de Jesus. Séculos depois Ele afirmou: “Vinde a Mim e não temais. Eu descanso perdoando” ⁽²⁾.
Por mais culpados que nos sintamos, não duvidemos um instante da misericórdia de Jesus: Ele nos espera, a mim, a você leitor, para curar-nos de corpo e alma. Vamos portanto a Ele com confiança de filhos em busca do melhor dos Pais.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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