Assim, deu-nos a luz, sobretudo, por querer que desejemos ver e contemplar eternamente a luz inacessível, a qual é Ele mesmo. Deu-nos as trevas da noite, que nos favorecem o descanso após as fatigas do dia, inclusive para predispor-nos ao eterno repouso do Paraíso. Deu-nos os odores a fim de atrair-nos para a eterna suavidade de Deus, em Deus.
Deu-nos a variedade dos sons e dos cânticos para nos enamorar dos eternos cânticos de glória nos esplendores dos Santos. Deu-nos a inumerável variedade dos sabores, das comidas e bebidas, também para nos entusiasmar com os eternos e verdadeiros prazeres que existem em Deus.
Deu-nos em tamanha variedade os trajes para nos estimular a ter a alma sempre revestida de todas as virtudes, de modo a revestir-se de eterna glória no Paraíso. Deu-nos riquezas como ouro, prata, pedras preciosas, pérolas, para nos fazer aspirar à eterna Riqueza, que é Deus mesmo na manifestação de sua glória. Todas estas coisas, Ele no-las deu temporárias, corruptíveis e limitadas, para conduzir-nos a almejar o eterno, o imortal, o infinito, o incomensurável, o incompreensível, ou seja, o próprio Deus.
Ah, meu Deus e meu Pai, na sapientíssima providência de vosso infinito amor e de vossa infinita misericórdia, criastes todas as coisas visíveis e as pusestes ao meu dispor especialmente para que eu delas me aproveite para Vos conhecer. E quereis que elas me ajudem a ter vivo e sempre crescente em minha alma o Reino de vosso santo amor, a conseguir ser imerso por inteiro e como que transformado no vosso divino amor, na vossa infinita caridade, em Vós mesmo.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 296, Agosto 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 295, Julho 2026
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