Quem poderia, meus irmãos, ouvir sem grande surpresa as palavras de nosso Salvador a seus discípulos antes de subir ao Céu, dizendo-lhes que a vida deles seria uma sucessão de lágrimas, de cruzes e padecimentos, enquanto as pessoas do mundo se abandonariam a uma alegria insensata e a risos frenéticos?
Isto não significa, diz-nos Santo Agostinho, que os homens do mundo, ou seja, os maus, não tenham também seus sofrimentos, pois as perturbações e os pesares são consequência de uma consciência criminosa, e um coração desregrado encontra seu suplício em sua própria devassidão. [...]
Talvez, entretanto, penseis: “Não posso compreender que Deus nos aflija, Ele, que é a própria bondade e nos ama infinitamente”. Perguntai-me também, então, se é possível que um bom pai castigue seu filho, ou um médico receite um remédio amargo aos seus doentes. Julgais que seria mais acertado o pai deixar o filho viver na libertinagem, em vez de castigá-lo para mantê-lo no caminho da salvação e o conduzir ao Céu? Acreditais que agiria melhor o médico que deixasse o doente morrer, pelo receio de dar-lhe remédios amargos?
Oh! Como é cego quem faz tão errado raciocínio! É necessário que o bom Deus nos castigue, pois, do contrário, não seríamos do número de seus filhos, já que o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo nos diz que o Céu será dado apenas àqueles que sofrem e combatem até a hora da morte. Julgais, porventura, meus irmãos, que Ele não diz a verdade? Pois bem, observai a vida dos Santos e o caminho que eles seguiram: quando param de sofrer, eles se julgam perdidos e abandonados por Deus.
São João Batista Vianney,
Excerto do Sermão sobre as aflições
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 296, Agosto 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 295, Julho 2026
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