O serviço de Deus parece triste e fastidioso para muitas almas; os mundanos reputam-no até insuportável. Por quê? "Porque, diz São Bernardo, vêem apenas os exteriores da virtude e não a alegria interior que inunda o coração dos amigos de Deus". Auxiliados por essa alegria deliciosa, fruto da graça, os santos carregaram com facilidade o jugo do Senhor. Os sacrifícioscontínuos que se impunham, as próprias perseguições dos maus, nada os abatia ou diminuía o seu contentamento, porque eles o colocavam unicamente em Deus.
A alegria santa que irradiava do seu semblante edificava o próximo e reconduzia as almas a Jesus. Quantos corações presos pelo mundo se dariam a vós, Senhor, se conhecessem a felicidade oculta em vosso serviço! Prova disso é a alegria das almas boas. É uma pregação muda que melhor convence do que todos os argumentos. Quantos pagãos não se converteram diante da alegria dos mártires no meio dos seus tormentos! Ser-nos-ia poderoso auxílio na piedade e no cumprimento dos nossos deveres, possuir sempre essa alegria celeste que nasce duma boa consciência e que empresta tantos encantos à Religião e à virtude.
Por ela a nossa perseverança estaria como que garantida. E de fato donde vem esse desgosto tão freqüente na oração, na renúncia e nos outros meios de santificação da alma? Do pouco fervor e generosidade neles. A alegria espiritual apresenta remédio para esse mal: dilata-nos o coração, inspira-nos coragem e duplica de certo modo as nossas forças; torna-nos capazes de permanecer fiéis a Deus, apesar das dificuldades e das tentações.
- Jesus ressuscitado, fazei-me participar da alegria divina que sentistes ao sairdes glorioso do Sepulcro. Dai que eu encontre, na leitura, na oração e na recordação da vossa bondade, os verdadeiros remédios para as minhas tristezas e amarguras. Que a esperança de ressurgir um dia convosco e de partilhar a vossa glória, me console em todas as aflições. Dissestes aos vossos apóstolos: "Alegrai-vos porque os vossos nomes estão escritos nos Céus". Lembrai à minha alma esse motivo de santa alegria, em todas as tribulações da vida. Fazei que eu conserve sempre sereno o semblante, mesmo quando o meu coração é presa da angústia e ansiedade.
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Fonte: Pe. Luís Bronchain, C. SS. R., Meditações para todos os dias do ano, segundo a doutrina e o espírito de Santo Afonso Maria de Ligório, traduzidas da 13ª edição francesa pelo Pe. Oscar das Chagas Azeredo, C. SS. R., 3ª edição, tomo primeiro, págs. 301 a 304, Editora Vozes Ltda., Petrópolis, l959.
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