Porto Alegre (Quarta-Feira, 07/03/2012, Gaudium Press) A Igreja católica convida a todos os fiéis a viverem com piedade, retidão de espírito e entrega total esse tempo de preparação da Quaresma, e em sintonia com esse tempo litúrgico, dom Dadeus Grings, arcebispo metropolitano de Porto Alegre (RS), escreveu recentemente o artigo "O tríplice exercício quaresmal", onde ele apresenta os três exercícios que a Igreja utiliza neste período para moldar o ser humano em sua totalidade: espírito, corpo e convivência.
| Dom Dadeus Grings |
O arcebispo recorda que a cruz simboliza muito bem esta dimensão: pela haste vertical aponta para o céu, atestando a transcendência da vida humana sobre as dimensões da terra. "Buscamos na Bíblia e na Natureza a inspiração para a oração e para nossos atos de piedade. Nelas lemos os pensamentos e os projetos de Deus. Por elas nos colocamos à escuta de sua Palavra, respondendo-lhe com nossa oração", completa.
O segundo exercício quaresmal, de acordo com Dom Dadeus, diz respeito ao corpo, talvez hoje mais necessário que nunca: que é o jejum. Segundo ele, com a vida sedentária e com a generalização da obesidade, conseqüência de uma alimentação descontrolada e muitas vezes mórbida, com os vícios do álcool e das drogas, que escravizam o ser humano, o apelo para o jejum se torna veemente para a promoção da saúde e o controle das tendências que levam aos excessos.
"Percebemos, mais que nunca, a necessidade de controlar os instintos do prazer. Jejuar significa afirmar a supremacia do espírito sobre o corpo, de modo a proporcionar-lhe saúde pela plena harmonia de todas as dimensões humanas: física, biológica, social, religiosa. Assim como a paz promana da harmonia de todas as forças sociais, a saúde resulta do perfeito funcionamento e sincronia de todas as dimensões da vida humana", salienta.
Para o prelado, o terceiro exercício quaresmal já nos situa na sociedade, pois nenhum homem é uma ilha, ninguém vive para si. "Viver é, pois, conviver. A esmola simboliza a caridade fraterna e a solidariedade. Não se reduz a valores materiais. Acima de tudo envolve acolhida: dar tempo às pessoas, carinho, aprofundar relações de amizade", diz ele, que ainda afirma que a riqueza de uma pessoa se mede pelas relações sociais que conseguiu estabelecer durante sua vida.
"O mandamento do amor a Deus se estende ao próximo. Constitui a haste horizontal de nosso símbolo religioso: a Cruz. Sem amor ao próximo não há cristianismo, assim como não se pode qualificar de cristão quem não ama a Deus."
Por fim, dom Dadeus afirma que a Igreja quer, nesta quaresma, que tem como marca da Campanha da Fraternidade, a saúde pública, destacar este tríplice exercício da vida cristã: "a oração, o jejum e a esmola, vistos na perspectiva da relação com Deus, consigo mesmo e com os outros, respectivamente, no espírito de fé, de cuidado com a saúde e de convivência fraterna", conclui ele.(FB)
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 296, Agosto 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 295, Julho 2026
Quem são os Arautos do Evangelho?
Auxílio dos Cristãos
Músicas Natalinas