| Para Dom Dadeus Grings, a Quaresma visa ao crescimento espiritual |
Porto Alegre (Quinta-Feira, 10-03-2011, Gaudium Press) "Desde o 4º século, a cada ano a Igreja prepara seus fieis para sua festa central, da Páscoa, com um tempo especial, chamado Quaresma". É assim que o arcebispo metropolitano de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings, inicia o seu mais recente artigo, dedicado ao tempo da quaresma, período de 40 dias que vai desde a Quarta-feira de Cinzas até a Semana Santa, assumida como a Grande Semana do Mistério Fundamental do Cristianismo.
Para o arcebispo, a Quaresma visa ao crescimento espiritual, levando os fiéis a fazer o confronto entre o ideal e o real, ou seja, leva a teoria à prática, conformando a vida com a mensagem do Evangelho. Neste sentido, exemplifica Dom Dadeus, é importante a experiência vivida em um retiro espiritual, com destaque à oração e à penitência, "sempre com os olhos fixos na meta, que é a acolhida de Cristo vivo e ressuscitado".
Em relação ao número 40, o prelado explica que ele é emblemático e que os antigos, principalmente a partir de Pitágoras, tiraram os números do segundo grau de abstração e lhes atribuíram significados mais profundos com uma decisiva incidência na vida humana. Assim, deram ao número 4 simbolizar o universo material, pelos quatro elementos que o constituem: terra, água, fogo e ar. Dom Dadeus diz ainda que o zero, segundo a Bíblia, representa o tempo da vida sobre a terra, com suas provações e dificuldades.
"A Quaresma, pelo número 40, tem uma forte ressonância bíblica: representa os 40 dias do dilúvio, os 40 anos da peregrinação dos hebreus pelo deserto; os 40 dias de Moisés e de Elias na Montanha de Deus; os 40 dias de jejum de Jesus; os 400 anos da estada dos judeus no Egito... Em cada um destes símbolos existe a necessidade de criar um clima novo, abrindo o coração para um grande acontecimento", ressalta o arcebispo.
Durante a Quaresma, continua Dom Dadeus, as cristãos devem se empenhar em três grandes linhas de ação, que constituem o eixo da vida religiosa: a oração, a penitência e a caridade. "É neste tempo de preparação que os cristãos devem sintetizar a busca do Reino de Deus na luta pela justiça, pela paz e pelo amor. Essa tríplice linha de ação continua, com toda a validade, ainda que sempre com renovadas conotações", destaca. O arcebispo também lembra a prática do jejum e da abstinência de carne, e afirma que esta norma se estende a campos que exasperam a cobiça humana: uso dos bens materiais, drogas, diversões, entre outros.
Por fim, o arcebispo metropolitano de Porto Alegre enfatiza que a Quaresma quer nos convidar a práticas positivas, que devem caracterizar nossa religiosidade: o contato com Deus e com o próximo, respectivamente, pela oração e pelo amor fraterno. Para ele, a vida é feita de relação e exige um contínuo aprofundamento para proporcionar a devida realização.
"Exige relação consigo mesmo, pelo autodomínio e pelo equilíbrio de todas as tendências; relação com os outros, pelo amor fraterno, que envolve perdão, superação do ódio e da violência e uma contínua busca de reconciliação; relação com o mundo, pelo respeito à natureza e zelo pelo meio ambiente, e relação com Deus, com clareza da meta da caminhada, transcendendo as vicissitudes dos tempos", conclui o prelado.
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