Lipa - Filipinas (Segunda-feira, 14-09-2015, Gaudium Press) O Arcebispo de Lipa, Filipinas, Dom Ramón C. Argüelles, emitiu no último dia 12 de setembro, festa do Santo Nome de Maria, o decreto de reconhecimento oficial das aparições da Santíssima Virgem em um Convento Carmelita em 1948, durante as quais Nossa Senhora se apresentou sob o título de Medianeira de Todas as Graças, uma invocação que despertou uma notável devoção popular e que é agora a primeira aparição mariana a ser aprovada nas Filipinas.
O decreto oficial estabelece que "os eventos e aparições de 1948, conhecidos como fenômeno mariano de Lipa e suas sequelas inclusive em tempos recentes, de fato exibem um caráter sobrenatural e são dignas de ser críveis". O prelado recomendou aos fiéis promover a devoção à Santíssima Virgem sob o "reverenciado e digno título" de Medianeira de Todas as Graças.
O Arcebispo reconhece em seu decreto que "o título Medianeira (Mediatrix) de toda graça foi inscrito à Santíssima Mãe de Deus já em tempos passados durante o período dos Padres da Igreja", assim como a promoção da proclamação deste título como dogma de Fé por parte do Cardeal Mercier na Bélgica e a Consagração da China a Maria, Medianeira de todas as Graças, em 1942, assim como o fato de que "a Santíssima Mãe apareceu a uma postulante carmelita chamada Teresita Castillo em várias oportunidades em 1948 dando-se a conhecer como a Medianeira de Todas as Graças".
Uma aparição vetada
Como testemunho da verdade dos fatos, o Arcebispo recordou os sofrimentos e humilhações padecidas pela vidente, a quem somente de maneira póstuma se reconheceu sua submissão à vontade de Deus e sua santidade de vida, de acordo com a advertência da Santíssima Virgem durante os fatos: "Tu irás sofrer, serás ridicularizada, mas não temas, porque tua Fé te levará ao Céu". No sucessivo, outras reconhecidas pessoas como o primeiro Bispo Auxiliar de Lipa, foram presenteadas por ter manifestado sua crença na aparição, obedecendo de forma cristã as decisões das autoridades eclesiásticas.
Além disso, Dom Argüelles afirmou que o decreto anterior que negava o caráter sobrenatural dos fatos em 1951 teve, "desde o início", "uma sombra de dúvida", já que os que deram testemunho contrário expressaram no final de sua vida que acreditavam na veracidade das aparições. As restrições à promoção desta devoção foram retiradas em 1963 pelo Administrador da Diocese de Lipa após o falecimento do Bispo, sendo finalmente retirado o veto de maneira oficial por parte do Arcebispo de Lipa, Dom Mariano Gaviola, no dia 16 de julho de 1992, depois "da devida oração e estudo".
A crescente devoção popular
Segundo o Arcebispo, a devoção popular à Medianeira de Todas as Graças não minguou nem durante o tempo de proibição, nem depois deste, e inclusive apesar do "suposto veto" (nas palavras do prelado) "a Diocese de Digos e a Diocese de Kidapawan são postas sob a tutela de Maria Medianeira de Todas as Graças", assim como várias paróquias em outras regiões do país. Dom Argüelles instituiu os Dias Marianos de Oração e Peregrinação a Lipa em setembro de 2004, e este evento se replicou ao redor do mundo, sempre com a aprovação das autoridades eclesiásticas locais.
A invocação foi ratificada novamente em 2009, assim como a recomendação de Dom Gaviola sobre a "devoção à Medianeira de Toda Graça onde quer que se encontrem os crentes e amantes da Santíssima Mãe", e a devoção mostrou um grande acontecimento tanto na peregrinação anual de Lipa como na Regata, procissão fluvial em sua honra. Diferentes prelados, Bispos e Arcebispo, recomendaram aos seus fiéis participarem das peregrinações.
Além disso, Dom Argüelles atribui "à Santíssima Virgem Mãe sob o título de Medianeira de Todas as Graças", a liderança da "Filipinas católica e mariana em sua luta decidida em defesa da vida, a sacralidade da instituição do matrimônio, a integridade da família e a importância da união natural e sobrenatural entre marido e mulher". Para o prelado, a ajuda da Santíssima Virgem é "essencialíssima, na medida que Filipinas, Povo Amante de Maria", tem uma grande relevância na defesa da criação, a renovação de si mesmo a partir de sua Fé em Deus, "a rejeição da prevalência do materialismo, o secularismo e o ateísmo" e a promoção de uma "cultura de bondade, amor generosidade, desinteresse, o compartilhar, e a solidariedade entre os indivíduos e nações".
O Decreto
Após enumerar estas e outras razões para tomar a decisão, Dom Argüelles anunciou sua resolução na parte final do decreto, que traduzimos de maneira livre a seguir:
"Por isto, Eu, pela Graça de Deus e a autoridade da Sé Apostólica, o sétimo Bispo desta Igreja local de Lipa, o quinto Arcebispo desta Sé Metropolitana, o mais indigno Servus Ancillae Filius (servo dos filhos da Escrava), declaro com certeza moral e com as melhores intenções e esperanças em mente, buscando o cumprimento das normas da Santa Sé, atuando pela maior Glória de Deus e comprovando sempre o maior amor pela Santa Madre Igreja.
Que os eventos e aparição de 1948 conhecidos também como o fenômeno mariano de Lipa e suas sequelas inclusive em tempos recentes de fato exibem caráter sobrenatural e são dignos de crença.
Por este motivo a devoção à Santíssima Mãe Maria sob seu reverenciado e digno título de Medianeira de Toda Graça.
Dado este duodécimo dia de setembro, Festa do Santo Nome de Maria, observado na Arquidiocese de Lipa como a Festa de Maria, Medianeira de Toda Graça, no ano do Senhor, dois mil e quinze".
Com informações da CBCP News e Paróquia de Maria, Medianeira de Toda Graça.
Gaudium Press / Miguel Farías
Traduzido por Emílio Portugal Coutinho
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