Porto Alegre (Quarta-Feira, 28/11/2012, Gaudium Press) "O Dom da Fé" é o título do mais recente artigo de dom Dadeus Grings, arcebispo metropolitano de Porto Alegre, no Estado do Rio Grande do Sul. No texto, o prelado afirmou que a humanidade vive do binômio fé e razão: as duas asas que nos levam a Deus.
De acordo com o arcebispo, atualmente existem pesquisas científicas que apontam para a influência da fé e da religiosidade não só no comportamento humano, no plano da moral, mas também na saúde física e mental. "Hoje não só cardiologistas, mas também especialistas em outras doenças e comportamentos humanos, garantem uma influência significativa da fé e da espiritualidade tanto na cura como na prevenção dos desvios de conduta e da saúde", destacou ele.
Dom Dadeus citou ainda dois exemplos para esclarecer um pouco mais essa questão: Pelágio, no tempo do Império romano, que tentou separar fé e graça, e Santo Agostinho, doutor da graça, que insistiu na fé como graça. Agostinho argumentava que se a fé não fosse graça não seria necessário rezar para que os pecadores se convertessem e para que os descrentes acreditassem em Deus. "Bastaria convencê-los com argumentos racionais. Se a verdade fosse apenas resultado de provas apodíticas, dificilmente se conseguiria viver."
Mas não, afirmou o prelado, pois temos na verdade quatro modos de conhecer. Conforme dom Dadeus, o primeiro e fundamental é a consciência. "Cada pessoa tem certeza de existir. Sua subjetividade está fora de discussão. Ele é ele. Não se confunde com nenhum outro. Tem consciência de si e de seus atos", completou. Para o arcebispo, o segundo modo de conhecer é a intersubjetividade.
"Trata-se de um conhecimento que começou a ser aprofundado apenas no século XX. É o conhecimento que temos dos outros, não como objetos a serem pesquisados pelas ciências, mas como sujeitos como nós. Por isso entramos neles e eles entram em nós. Chama-se isto de convivência. A razão não a consegue exprimir em conceitos. Apenas descreve sua realidade como avalista de nossas experiências e conhecimentos. Não são só por palavras, mas principalmente contatos, gestos, expressões do rosto", analisou ele.
Já o terceiro modo de conhecimento, segundo o prelado, vem de longe e considera-se objetivo porque se põe nitidamente diante de um objeto. É o que as ciências fazem e se consideram, por isso, objetivas. "Temos armazenado conhecimentos em tal quantidade que ninguém pessoalmente consegue abranger tudo. Infelizmente nem sempre considera o sujeito que se põe diante do objeto. Na verdade não existe conhecimento objetivo sem sujeito."
Por fim, dom Dadeus refletiu sobre o quarto modo de conhecimento, não inferior aos demais, que é a fé. Ele afirmou que cremos em pessoas, em sujeitos que vivem e experimentam, e colhemos as verdades por testemunhos. O arcebispo enfatizou ainda que a primeira e mais querida pessoa é Jesus Cristo, pois Ele nos revela o Pai, nos traz o Espírito Santo e a Igreja para nos confirmar na fé.
"Conhecer é capacidade. Fé é graça, dada gratuitamente por Deus e acolhida gratuitamente por nós, sem exigências nem incumbências. É como ver. Crer, como ver ou sentir, é bom e nos torna felizes", concluiu o prelado.(FB/JS)
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