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Se Juan Manuel Cotelo, diretor, jornalista e realizador de "O Último Cume" tivesse consultado um economista sobre a possibilidade de lançar nos cinemas um filme sobre a vida de um sacerdote, o mais provável é que lhe tivesse dito que teria muitas perdas, cifras negativas e que melhor seria optar por outra trama. Mas Cotelo não visou sangue, nem os enredos de conteúdo promíscuo, nem violência; tão somente se deixou guiar pelo que sua consciência lhe dizia: a importância de comunicar a vida de um sacerdote que viveu decididamente buscando Deus e os outros.
Assim, nasceu este documentário, êxito de bilheteria na Espanha e em outros países, e que no Chile estreou timidamente em Santiago em uma sala para 40 pessoas. Em menos de uma semana passou para outra com capacidade para 200 e logo a uma de 400. Tudo isso graças às orações, à publicidade entre as redes sociais e ao boca-a-boca de centenas de espectadores. Devido a sua popularidade, "O Último Cume" foi estendido em cartaz até o último dia 13 de abril.
A alegria de viver a própria vocação
O segredo do êxito deste documentário é sua sensibilidade: não se procurou, como o fazem frequentemente os filmes de Hollywood, impressionar com coisas extraordinárias, animais que falam ou indivíduos com capacidades especiais. Simplesmente procurou-se mostrar a alegria de viver a própria vocação dada por Deus a um sacerdote que tinha tudo para poder triunfar no mundo com sua boa aparência, inteligência, dom para lidar com as pessoas, etc. Mas que no entanto decide entregar sua vida à vontade de Deus.
Convencidíssmo de sua vocação, Pablo Dominguez - o protagonista - testemunha com sua vida que a vontade de Deus não é uma força opressora que vem a nós de fora e que tenta nos "violentar"; ao contrário, trata-se da verdade de nossa vida, da confiança em quem sabemos que nos ama. Esse é o segredo de tanta alegria, deixar que Deus transpasse a vida e obre através de nós.
O filme narra com testemunhos reais, de familiares, amigos, sacerdotes e bispos, a curta, porém fecunda vida sacerdotal deste grande homem. Começa mostrando como, com a força de complicações inúteis, vamos perdendo a alegria de viver.
Porque algumas pessoas pensam que as coisas de Deus são intelectuais, demasiado abstratas: Pablo, apesar de ser doutor em Filosofia e Teologia, além de professor de Lógica, joga, canta, ri, brinca, e nem por isso anula sua grande inteligência, que tinha de sobra; ao contrário, se enaltece entregando aos demais esses dons de maneira sensível e clara, como Jesus o faria em seu lugar.
Poderia parecer quer tudo acabaria aí, mas a medida que avançamos no documentário, nos atiça a curiosidade de saber o que é que faz este homem tão íntegro, esse grau de desprendimento e de bondade fora do comum. Juan Manueal Cotelo intervém nos dando a resposta: uma substância que em alguns países está proibida, e que muitos consomem mas que às vezes não reconhecem. Pablo se alimentava de Cristo presente na Eucaristia. Era essa sua força, o repetir todos os dias de sua vida as palavras que Cristo pronunciou na Última Ceia.
O Último Cume, sinal de sentido em nossa própria vida
"O Último Cume" significa a missão de todo batizado, membro da Igreja. A glória de Deus e a salvação de nossos irmãos no Cume,o maior que podemos desejar. Pablo nos mostra que é possível, e não cabe a tristeza, porque Deus é sensível, simples e não nos é preciso nada espetacular para viver conforme seus planos. A morte de Pablo em Moncayo - o pico mais alto da Espanha, que havia escalado em sua vida de alpinista - coincide com a sua maturidade espiritual com a culminação da missão que Deus lhe havia encarregado para a vida terrena. Nos mostra, além do mais, que a morte não é para um cristão o final, senão o "chegar ao cume", o passo para a eternidade.
Igor Roco
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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