Cidade do Vaticano (Quinta-feira, 12-05-2010, Gaudium Press) Pelo projeto de promoção da real honorabilidade dos candidatos às eleições e o combate à corrupção eleitoral no Brasil, a Campanha "Ficha Limpa", promovida, entre outras entidades, pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, foi escolhida pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz como "exemplar"e "ponto de referência válido" entre as boas práticas propostas pelo dicastério.
Com isso, o projeto brasileiro participará do Congresso Internacional "Justiça e globalização: da 'Mater et Magistra' à 'Caritas in veritate", promovido pelo próprio dicastério. A apresentação ocorreu hoje na sede do Pontifício Conselho, e foi feita pelo secretário Dom Mario Toso.
O Congresso acontecerá em Roma do dia 16 a 18 de maio, na sede da Conferência Episcopal Italiana. O projeto brasileiro pode ser considerado como um modelo para toda classe política, "que nos nossos tempos necessita subir a um nível moral mais alto, ao nível também de exemplaridade", afirmou Dom Toso. "O que foi feito no Brasil é considerado exemplar, um ponto de referência válido para todos e deve ser realizado também em outros lugares".
A partir de segunda-feira e por três dias, serão discutidos entre mais de 200 participantes (particularmente pelo pessoal responsável pelas Comissões da Justiça e da Paz, dos Escritórios para os problemas sociais e o trabalho, e diretores dos Institutos e Centros de Doutrina Social da Igreja), temas da sociedade, dos trabalhos e do bem comum nos conceitos de valorização, políticas, recursos materiais e imateriais do crescimento humano. Os problemas serão apresentados a partir do ponto de vista de cada um dos continentes (América, Europa, África e Ásia).
O primeiro dia será dedicado ao tema da "Nova evangelização do social: o papel da doutrina social da Igreja". Um dos palestrantes desse dia será o cardeal hondurenho Oscar Rodriguez Maradiaga, arcebispo de Honduras.
No segundo dia se falará sobre "O homem e seu ambiente: justiça e política", enquanto o terceiro dia será dedicado a "experimentações e boas práticas" da Doutrina Social da Igreja no próprio ambiente. A Campanha brasileira "Ficha Limpa", projeto que leva em consideração a vida precedente dos candidatos segundo o parágrafo 9 do artigo 14 da Constituição Federal do Brasil como critério para quem pode se candidatar às eleições, foi escolhida entre 16 casos exemplares para particiar desse dia.
Dom Toso ressaltou que o mundo necessita do laicato católico bem preparado, pronto para propor o ensinamento da Igreja no próprio ambiente de trabalho. "O dever da Igreja não é fazer política, mas formar a consciência humana. E isso é um longo processo", disse.
"A Igreja pode fazer certas coisas se é ajudada, se seus componentes estão em comunhão entre eles. Não há uma varinha para resolver os problemas. Além disso, a Igreja tem à sua disposição tempos muito mais longos do que aqueles da política ou outros meios, pois incide no plano da formação das consciências, o que requer tempos longuíssimos. Ela tem a sua disposição o plano da convencimento", observou o secretário da Justiça e da Paz.
O Congresso acontece no 50° aniversário da encíclica do Beato João XXIII "Mater et magister", e sob os novos contextos apresentados na última encíclica social do Papa Bento XVI, "Caritas in veritate".
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