Redação - (Sexta-feira, 10-10-2014, Gaudium Press) - Estamos no mês de outubro, mês em que a Igreja comemora o Dia das Missões. O calendário litúrgico traz hoje, 10 de outubro, temos um grande santo missionário para ser lembrado e honrado: São Daniel Comboni.
Quando de sua canonização, o Papa São João Paulo II afirmou: "Faz falta evangelizadores que tenham o entusiasmo e o zelo apostólico do Bispo Daniel Comboni, apóstolo de Cristo entre os africanos".
Para o recém canonizado Papa João Paulo II, "Ele empregou os recursos de sua rica personalidade e de sua sólida espiritualidade para dar a conhecer a Cristo e fazer com que Ele fosse acolhido na África, continente que (São Daniel) amava profundamente".
São Daniel Comboni nasceu em uma família humilde de agricultores, em Limone sul Garda, um pequeno povoado situado nas margens do Lago de Garda, na Brescia, Itália, no ano de 1831.
Ainda criança, na escola, sua professora percebeu que o menino era diferente: revelava uma inteligência incomum e mostrava uma curiosidade viva que se traduzia em perguntas sem fim. Parecia já estar à procura do absoluto.
Aos dez anos definiu sua vocação: iria ser sacerdote.
Teve que sair de casa para estudar. Foi para a cidade de Verona e ali estudou no Colégio São Carlos que acolhia crianças de poucos recursos. Quem o recebeu foi o sacerdote Padre Nicola Mazza, fundador e mantenedor de dois colégios na região.
Sua vocação sacerdotal e missionária teve uma definição maior ai nesse Colégio.
Em 1846, aos quinze anos, conheceu a história dos mártires do Japão. Na mesma ocasião voltava de uma missão na África o Padre Ângelo Vinco, que pertencia ao Colégio São Carlos. Ele relatou a situação miserável das populações que lá viviam e as dificuldades que tinham para perseverarem na Fé.
Entusiasmado com tudo que leu e ouviu nessa ocasião, sua alma foi tocada pela graça e ele decidiu definitivamente ser um sacerdote... missionário.
Sem perda de tempo, preparou-se desde então para tarefa que esperava realizar em terras longínquas, sobretudo na África:
Estudou inglês, francês, árabe.
No dia 31 de dezembro de 1854 recebeu as ordens sacerdotais, em Trento. Pouco tempo depois, 1857, deveria partir para as missões... na África.
Por ocasião da viagem eclodiu na região de Verona uma epidemia de cólera. Ele entregou-se inteiramente ao serviço dos doentes, arriscando o contágio. E, logo depois, partiu para sua primeira missão, dedicando-se de corpo e alma aos africanos.
Em 14 de setembro, junto ao túmulo de São Pedro em Roma, recebeu uma grande inspiração e durante o concílio Vaticano I apresentou aos bispos o seu Plano pela Regeneração dos Africanos.
Sua experiência levou-o a compreender que os brancos não aguentavam muito na África, e que os Africanos trazidos para a Europa corrompiam-se com o conforto e não desejavam mais voltar a sua terra natal para ser evangelizadores.
Foi então que ele propôs "Salvar a África com a África": preparar sacerdotes e missionários africanos, na própria África.
Ele viajou muito. Mas seu coração estava sempre voltado para a África e a evangelização dos africanos. Ele os queria convertido e livres da escravidão, das doenças e da miséria.
Para realizar seus desejos, fundou vários colégios, pediu colaborações e fundou a Congregação das Pias Madres da Nigritia.
O Cardeal prefeito da Congregação Vaticana responsável pela Propagação da Fé incitou-o a fundar Institutos religiosos. Foi assim que em 1º de junho de 1867 fundou o Instituto dos Filhos do Sagrado Coração de Jesus que, hoje, tem o nome oficial de Missionários Combonianos do Coração de Jesus (MCCJ) que logo se espalhou pelos cinco continentes.
Em 1877 foi nomeado bispo do extenso Vicariato que se estendia por quase toda a África Central.
Vitimado por terríveis febres que já tinham ceifado a vida de quase todos os seus companheiros, no dia 10 de outubro de 1881, em Cartum, no Sudão, ele faleceu.
No leito de morte, Daniel Comboni rogou aos presentes que nunca desistissem do apostolado na África e dos africanos, mesmo se sobrasse apenas um deles. Ele partiu para o Céu, mas sua obra não morreu.
Hoje, os membros de seus Institutos estão nos cinco continentes. E possuem 24 mártires que deram sua vida pela evangelização.
Um milagre ocorrido no município de São Mateus, no Estado do Espírito Santo, no Brasil, na década de 1970, abriu o caminho para sua beatificação. O milagre ocorreu na cura de Maria José de Oliveira Paixão, uma menina que se encontrava internada em um hospital do município.
Sua canonização deveu-se à cura miraculosa de Lubna Abdel Aziz, atribuída a sua intercessão, numa maternidade em Cartum, no Sudão.
Daniel Comboni foi canonizado em 5 de outubro de 2003 pelo Papa João Paulo II e sua festa é comemorada em 10 de outubro. (JSG)