Cidade do Vaticano (Sexta-feira, 04-03-2011, Gaudium Press) Autoavaliação e purificação e entusiasmo evangélico são as etapas da nova evangelização para as quais os cristãos de hoje são chamados por Bento XVI. Essa, e outras considerações, estarão no próximo Sínodo dos Bispos. Hoje de manhã, na Sala de Imprensa da Santa Sé, foi apresentado em uma coletiva de imprensa o documento com as diretrizes e reflexões que farão parte da 13ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que acontecerá no Vaticano em outubro de 2012 e terá como tema "A nova evangelização para a transmissão da fé cristã".
O documento de três capítulos, "Tempo de nova evangelização", "Proclamar o Evangelho de Jesus Cristos" e "Iniciar a experiência cristã", apresenta o significado do termo "nova evangelização" e o cenário descritivo da realidade que deve enfrentar a ação evangelizadora da Igreja Católica moderna. As diretrizes apresentadas agora empenham toda a Igreja Católica para a próxima Assembleia Geral, de 7 a 28 de outubro de 2012, sobre os próprios aspectos das realidades e das exigências em diversas partes do mundo.
Na coletiva, foi recordada a primeira menção da Igreja à chamada "nova evangelização". O termo foi introduzido pelo Papa João Paulo II em 1979 durante sua primeira viagem à Polônia, em sua homilia no Santuário de Santa Cruz em Mogila. Depois a questão foi desenvolvida em um contexto latino-americano, no discurso aos participantes da XIX Assembleia do CELAM, em Port-au-Prince, Haiti, em 9 de março de 1983, quando João Paulo II pede que se faça um instrumento de impulso e introduz o tema como meio de comunicação. O Papa, na ocasião, escreveu que não é um compromisso de re-evangelização, mas de "uma nova evangelização. Nova em seu ardor, em seus métodos, em suas expressões."
"A nova evangelização - explica o documento preparatório apresentado hoje - não é uma duplicação da primeira, não é uma simples repetição, mas é a coragem de ousar trilhas novas, diante das mudadas condições dentro das quais a Igreja é chamada a viver hoje o anúncio do Evangelho." O chamado para "buscar viver positivamente todos os caminhos para impostar formas de diálogo que interceptem as expectativas mais profundas dos homens e sua sede de Deus", é dirigido a todos os cristãos, e também aos ateus e agnósticos.
As diretrizes apresentam o vasto cenário de seis aspectos da realidade que a nova evangelização deve lidar: a secularização, a grande migração, a mídia, o aspecto econômico-científico- tecnológico e a política.
Principalmente no mundo ocidental, o pensamento e o estilo de vida se desenvolveram em uma maneira "na qual Deus é de fato ausente". O clima da mentalidade atual foi muito mudado também pelos meios de comunicação, que levam "à cultura do efêmero, do imediato, da aparência", continua o texto. Isto impõe possibilidades, mas também desafios à Igreja.
O desenvolvimento da pesquisa científica e tecnológica tornou-se quase novas formas de agnosticismo e de novos cultos, "estruturando-se como religiões da prosperidade e da gratificação instantânea". Apresentando o cenário político, o documento recorda as novas situações das relações inter-religiosas, principalmente nos países asiáticos e islâmicos, impondo desafios na construção da paz, do desenvolvimento e da libertação, onde, às vezes, se enfrenta a situação de martírio dos cristãos.
Assim, a nova evangelização deve se desenvolver começando pela própria fé, porque é principalmente um dever espiritual. Os cristãos são chamados a ter um novo entusiasmo, um zelo renovado realizado "com doçura e respeito, com uma consciência reta", na dimensão privada e pública. A conclusão coloca em ressalto a importância da esperança e da alegria na ação evangelizadora.
O documento preparatório para o Sínodo com essas diretrizes foram apresentados em 8 línguas, entre as quais o português e o espanhol.
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