São Paulo (Segunda-feira, 01-06-2015, Gaudium Press) Recentemente, o Cardeal Emérito de São Paulo e ex-prefeito da Congregação para o Clero, Dom Cláudio Hummes, celebrou seus 40 anos de ordenação episcopal.
Nomeado bispo pelo então Papa Paulo VI, em 1975, o religioso foi Arcebispo de São Paulo no período de 1998 a 2006, tornando-se mais tarde prefeito da Congregação para o Clero. Atualmente, exerce o cargo de presidente de uma comissão da CNBB responsável pela Igreja na região da Amazônia.
Em entrevista para o Jornal O São Paulo, da Arquidiocese de São Paulo, Dom Hummes diz que se sente feliz e grato a Deus por tê-lo chamado para a missão na Igreja. "Nunca pedi para presidir ou coordenar tal ou tal serviço eclesial. Sempre acolhi o que a comunidade, por meio de seus responsáveis, me pediu, enxergando nisso o chamado de Deus. Assim, sei que foi Deus quem me conduziu e me deu o encorajamento constante e as forças para ir em frente, apesar das dificuldades e o tamanho da estrada a percorrer. O Espírito de Deus me iluminou e fortaleceu", afirmou.
Perguntado sobre a relação que possui com os papas que passaram pela Igreja Católica desde quando ordenou-se presbítero, e por fim, a exercer diversos cargos eclesiásticos, Dom Hummes, primeiramente, garantiu que "um bispo deve ter uma relação muito forte com cada papa e muito próxima".
"Paulo VI - hoje beato - me nomeou bispo. Não cheguei a encontrá-lo pessoalmente, já que logo depois ele veio a falecer. Sempre o admirei pela capacidade, lucidez e energia com que levou a feliz término o Concílio Vaticano II, iniciado por São João XXIII (Este, sim, conheci de perto e encontrei no Vaticano, numa audiência, com grande emoção, quando eu era ainda padre e fazia doutoramento em Filosofia, em Roma). João Paulo I, que teve poucos dias de pontificado, o conheci antes de ele ser papa, quando veio visitar algumas irmãs na Diocese de Santo André. São João Paulo II, em seu longo pontificado, eu o encontrei muitíssimas vezes, sobretudo nas ‘Visita ad limina' e nos Sínodos (...) Bento XVI me chamou a Roma para ser Prefeito da Congregação para o Clero (...) Para mim, foi muito enriquecedora a experiência."
Com Francisco, especialmente, não foi diferente, uma vez que foi decisivo ao influenciar o Cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio na escolha do nome papal:
"De fato, num impulso interior, eu disse ao seu ouvido (eu estava sentado ao lado dele): ‘Não te esqueças dos pobres'. Somos amigos, como ele mesmo declarou. Tenho uma imensa estima por ele. Admiro-o profundamente", explicou.
Sobre os desafios na evangelização atualmente, o Cardeal Emérito observa que "a Igreja precisa mover-se", pois assim como os desafios que o Papa Francisco nos propõe na Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho), devemos ser "uma Igreja missionária, misericordiosa, pobre e para os pobres, ‘em saída', que derruba muros e faz pontes para chegar a todos, com a alegria do Evangelho".
"Jesus Cristo deve sempre ser uma boa notícia, a notícia do amor misericordioso e ilimitado com que Deus ama o seu povo e ama a cada um de nós", ressaltou.
Dom Hummes ainda comentou seu trabalho como presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia da CNBB:
"Trabalhar na Amazônia foi um enorme presente de Deus nesta última etapa de minha vida. Além do mais, sentir o apoio explícito do Papa, quando ele veio para a Jornada Mundial dos Jovens e em tantos outros momentos foi um consolo e estímulo a mais. Junto com os demais bispos da Comissão Episcopal para a Amazônia, procura-se sensibilizar as dioceses do restante do País a participar - com envio de missionários (as) e meios materiais - da missão amazônica."
Agora, com a criação da Rede Eclesial Pan-amazônica (REPAM), "trata-se de uma rede em que queremos somar forças neste momento crítico para a Amazônia", para não apenas evangelizá-la, mas preservá-la, oferecendo um desenvolvimento sustentável com base na evangelização. (LMI)
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