Brasília (Sexta-feira, 30-11-2012, Gaudium Press) O presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude, Dom Eduardo Pinheiro, está escrevendo, a cada mês, uma carta a todos os párocos do Brasil para incentivá-los na evangelização dos jovens, à luz da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Rio 2013.
A mensagem para o mês de dezembro já foi divulgada. Nela o prelado afirma que o final do ano é tempo de agradecer a Deus. Além disso Dom Eduardo recorda com nostalgia das inúmeras reuniões de preparação para o Advento e o Santo Natal que teve com sua família durante sua juventude.
Abaixo publicamos a carta na íntegra. (EPC)
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Brasília, 01 de dezembro de 2012
Caros irmãos Párocos e Administradores Paroquiais, Vigários Paroquiais e demais Presbíteros.
Mais um ano se despede da gente! Quantas coisas bonitas vividas, quantos desafios enfrentados, quantas perguntas não respondidas, quantas respostas nos fortaleceram. Acima de tudo, é tempo de dar graças, porque em Deus temos condições de gerenciar tudo o que aparece, mesmo os contratempos.
Todos os dias são presente de Deus, mas o mês de dezembro é especial! Ele nos oferece uma forte carga de alegrias, surpresas, experiências de fé e de fraternidade. O ritmo é acelerado; queremos colocar tudo em ordem, preparar as celebrações e as festas; algumas vezes até fazer viagens.
É tempo de Natal! Mas é muito mais do que um simples dia 25 no último mês do ano! É um momento rico de situações que nos envolvem, interna e externamente, auxiliando-nos na autoestima, fortalecendo nossa fé, corresponsabilizando-nos nas atividades, amadurecendo nossos laços de solidariedade. Quando bem motivados e acompanhados, as crianças e jovens presentes em nossos ambientes se sentem valorizados pelo envolvimento nas diversas atividades próprias deste tempo.
Como é bom lembrar das inúmeras reuniões de preparação para o Advento e o Santo Natal! Normalmente os deveres escolares já tinham chegado ao fim e a esta alegria do descanso unia-se a satisfação dos encontros com os outros jovens para que cada detalhe não faltasse à Festa. Tudo começava com a busca daquelas caixas que guardavam o material utilizado no ano anterior e com a compra do que faltava para materializar as novas ideias brotadas, muitas vezes, da criatividade juvenil. Era gente por todo lado. Crianças ensaiando encenações natalinas, adolescentes e jovens recortando letras para os murais! A armação do presépio - sempre bem cuidado, ainda mais quando o padre entendia do assunto - envolvia muitos e atraía curiosos que não deixavam de dar seus palpites; serragem, pedras e luzes não podiam faltar! Os dias e as horas passando, e o Natal chegando! A pasta de cantos era renovada e o grupo de jovens não media esforços para preparar bem a liturgia, principalmente as músicas; quanto ensaio! Em geral rolavam também confraternizações e "amigo secreto" com lembrancinhas e salgados partilhados. Arrecadações e cestas básicas eram organizadas em vista do Natal dos mais pobres, aliviando-os da dureza de tantos momentos passados no ano que terminava. Conversas, histórias, notícias e novidades não faltavam entre os jovens. A comunhão e a participação fortaleciam nossa vocação de discípulos.
Os párocos que passaram em minha vida no tempo da infância e juventude intuíam que aquela agitação toda, envolvendo as crianças e os jovens, era fundamental para sua vida pessoal e sua fé, suas relações com os irmãos, seu amor à Igreja, seu compromisso com os mais pobres! Recordo-me da intensidade das atividades e dos envolvimentos! Sentíamo-nos parte da Igreja! Mais do que isto! Sentíamo-nos as próprias peças do presépio, as notas dos instrumentos musicais, as letras dos cantos, os presentes entregues, a alegria dos encontros, o alimento dos necessitados, o som do sino, o calor dos abraços e apertos de mão.
Emociono-me só de lembrar desse espírito de festa vivido em clima juvenil no final de ano! Mal sabia eu que esses milhares de detalhes estavam interferindo profundamente em minha existência, fortalecendo minha fé e minha adesão radical a Jesus Cristo e à Igreja, comprometendo-me, ainda mais, com o Evangelho do amor, da paz e da unidade. Obrigado, Pe. Pascoal Forin e Pe. Valério Utel! Na pessoa de vocês dois, que marcaram minha vida e vocação na comunidade de origem, agradeço a tantos párocos, vigários paroquiais, religiosos e religiosas, leigos adultos que, espalhados pelo nosso Brasil, sabem, com o coração de pastor, potencializar este momento com o envolvimento das crianças, adolescentes e jovens! Afinal, não poderia ser diferente: Jesus nasce de maneira tão simples e desconcertante; é o novo que carrega consigo a novidade de um mundo melhor! Que sabedoria envolver as novas gerações nesta dinâmica natalina!
Ao pedir que Deus abençoe todos aqueles que na espiritualidade do Natal se comprometem com a evangelização da juventude, rezo para que não faltem em nossas comunidades espaços, oportunidades e pessoas que apostem na força dos jovens e os mantenham ao lado de Jesus, no aconchego do presépio, no colo de Maria e de José.
Que a felicidade de seu Natal, querido irmão, seja o sinal visível de sua adesão incondicional a Jesus Cristo e do seu pastoreio junto ao seu povo, principalmente a nossa linda juventude.
Continuemos acompanhando a nossa Cruz Peregrina e o Ícone de Nossa Senhora que, neste mês, visitarão nossos irmãos uruguaios e paraguaios. Sejam eles abençoados, como está acontecendo com nossos jovens brasileiros, ao celebrar a vida e a fé ao redor dos preciosos símbolos da JMJ.
Dom Eduardo Pinheiro da Silva, sdb
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB
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