Roma - Itália (Segunda-feira, 11-05-2015, Gaudium Press) Em uma entrevista concedida ao "Il Foglio Quotidiano", o reconhecido matemático italiano Enrico Bombieri descreveu como a ciência matemática remete ao conhecimento de Deus e destaca a riqueza da Fé que não pode limitar-se nos parâmetros materiais da ciência. "A matemática abstrata, enquanto ciência coerente da verdade lógica, se reforça na certeza da Verdade que é Deus", explicou.
"Para mim, a matemática é um modelo da verdade, ainda que seja um modelo muito limitado de regras claras de consistência, que nos diz que uma Verdade absoluta (com V maiúsculo) deve existir inclusive se não podemos entendê-lo", expressou o especialista, ganhador em 1974 da Medalha Internacional para Descobrimentos Sobressalentes em Matemáticas (Medalha Fields), uma espécie de Prêmio Nobel desta ciência.
Este conhecimento de Deus não deve ficar na abstração, explicou o matemático, que referiu como seu mestre, o também matemático Ennio De Giorgi, viveu um testemunho de caridade e ajuda aos mais necessitados. Personagens como Pascal ou De Giorgi, afirmou, "haviam entendido que Deus não é só um Deus platônico, abstrato, geométrico, aritmético ou simplesmente criador de um universo abandonado a si mesmo", expressou. "Eles tinham a visão de um Deus que é mais difícil de entender, um Deus que está feito não só de potência, mas também de amor infinito. Só assim é possível, com humildade, aceitar o conceito cristão da Redenção".
Esta visão transcendente, que supera as limitações da técnica, recorda ao matemático do relato de Santo Agostinho, que meditava tentando entender o mistério da Santíssima Trindade e viu uma criança levando água do mar a um pequeno poço. "Santo Agostinho lhe perguntou: 'Menino, que fazes?' e o jovem respondeu: 'Estou contando quanta água há no mar'", relatou o matemático. "'Mas, isto é impossível!', replicou Santo Agostinho. E o menino lhe respondeu: 'Entender o mistério da Trindade é mais difícil'".
"Para mim é suficiente o que diz Metastasio", afirmou Bombieri: "'Por onde gire o olhar, ali imenso Deus te vejo'". Para o especialista, este é o centro da relação entre a Fé e a Razão: "A consistência matemática de nosso universo é certamente uma razão para ver ao Deus que criou o universo, como bem expressou o Papa Bento XVI em seu discurso", concluiu. "No entanto, há algo mais. A matemática abstrata, como uma ciência coerente da verdade lógica, se reforça a certeza da verdade absoluta, que é Deus. Deus é Criador, Amor Infinito, e Verdade infinita". (GPE/EPC)
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