Porto Alegre - Rio Grande do Sul (Sexta-feira, 24-06-2016, Gaudium Press) Os crucifixos e símbolos religiosos agora podem ser recolocados nos prédios do Judiciário do Rio Grande do Sul. Após quatro anos, a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), publicada neste mês, reforça que a presença das imagens religiosas nos tribunais não prejudica o Estado laico ou a liberdade religiosa.

Em nota, a decisão do Conselho, tendo como relator o Conselheiro Emmanoel Campelo, afirma que "a presença de Crucifixo ou símbolos religiosos em um tribunal não exclui ou diminui a garantia dos que praticam outras crenças, também não afeta o Estado laico, porque não induz nenhum indivíduo a adotar qualquer tipo de religião, como também não fere o direito de quem quer seja".
O caso já é de longa data, tendo início em fevereiro de 2012. Na época, foi protocolado um requerimento para retirada do Crucifixo e símbolos religiosos dos prédios da Justiça gaúcha, em recurso à decisão de dezembro de 2011.
No mês de março de 2012, o Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) determinou, por unanimidade, a retirada de crucifixos e símbolos religiosos durante os tribunais.
Após esta determinação, a Arquidiocese de Passo Fundo procurou reverter a situação no Conselho Nacional de Justiça. Para isso, foi solicitada a reconsideração da decisão a Associação dos Juristas Católicos (AJC) e pessoas físicas.
Para Campelo, os "símbolos religiosos são também símbolos culturais", uma vez que o "crucifixo é um símbolo simultaneamente religioso e cultural", que representa um dos pilares da civilização ocidental.
Além disso, a própria Constituição de 1988 traz em seu preâmbulo a seguinte expressão: "promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da República Federativa do Brasil".
Por fim, o relatório conclui que "os símbolos religiosos podem compor as salas do Poder Judiciário, sem ferir a liberdade religiosa, e que não se pode impor a sua retirada de todos os tribunais, indiscriminadamente".
"Que o crucifixo continue a constituir a força e a sabedoria de Deus"
Em 2012, quando o assunto foi repercutido pelos principais meios de comunicação, o então Arcebispo de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings, abordou a questão em um de seus artigos publicados na época.
No texto, Dom Dadeus lembrou que a retirada dos crucifixos implicava em nossos valores sociais, pois nossos símbolos mais sagrados ressaltavam a busca da paz social, da fraternidade universal, do amor incondicional, da salvação que vem de Deus, da honestidade que garante a contextura social e da Fé no transcendente para garantir perenidade à vida humana.
Conforme o prelado, hoje emérito, a Cruz para nós, assim como para grande parte da humanidade, mesmo fora do Cristianismo, sintetiza a dimensão transcendente do amor a Deus com a dimensão imanente do amor ao próximo.
"Esperamos que o crucifixo continue a constituir a força de Deus e a sabedoria de Deus também para os servidores do Judiciário. Quem tem Fé sabe e experimenta. Não se deve, porém, esquecer que o modo de viver de uma sociedade não é determinado por uma minoria, nem pode ser por ela obstacularizado, se não se quiser configurar uma ditadura e suprimir a democracia", concluiu Dom Dadeus. (LMI)
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 296, Agosto 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 295, Julho 2026
Quem são os Arautos do Evangelho?
Auxílio dos Cristãos
Músicas Natalinas