Novo Hamburgo - Rio Grande do Sul (Quarta-Feira, 08/10/2014, Gaudium Press) "Um domingo para a Padroeira do Brasil" é o título do artigo de Dom Zeno Hastenteufel, Bispo da Diocese de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul. O Prelado afirma que como a Igreja vai celebrar a Festa de Nossa Senhora Aparecida neste domingo, ele deixará de lado a Liturgia dominical para fazer uma reflexão em torno da Mãe Aparecida, que tem tantos devotos no Brasil.
Segundo o Bispo, todos conhecem a fragilidade histórica deste achado de 12 de outubro de 1717: dois pescadores, num trabalho quase de escravos, foram obrigados a pescar no Rio Paraíba do Sul, para uma ilustre visita. Dom Zeno recorda que estes homens estavam pescando e rezando, e, de repente, encontraram, na rede, uma imagem negra sem cabeça. Em seguida, eles pescaram a cabeça da imagem, a montaram e rezaram ainda mais, e tiveram então uma pesca milagrosa.
"Este fato ficou conhecido. As pessoas do povoado colocaram naquela imagem um manto azul, tal como as mulheres da época usavam, e ali estava Nossa Senhora Aparecida. Fizeram uma pequena capela, mais tarde uma capela maior, e, em 1888, inauguraram a conhecida basílica velha", completa.
Ainda de acordo com o Prelado, em 1980, o Papa João Paulo II consagrou a atual Basílica, que acolhe anualmente em torno de 12 milhões de peregrinos. Para o Bispo, é um verdadeiro fenômeno da religiosidade brasileira, que consegue atrair estas multidões para venerar uma imagem que é realmente apresentada, como um achado divino, que vem ao encontro da gente brasileira que busca ali a grande intercessora.
Ele também ressalta que hoje a televisão ajuda, os padres de Aparecida fazem um bom trabalho e a Igreja do Brasil tem ali um grande instrumento de evangelização.
Conforme Dom Zeno, a liturgia, montada em torno da Aparecida, busca o texto de Ester do Antigo Testamento, em que esta Rainha Ester se aproxima do Rei inimigo e faz dois pedidos: "Se ganhei as tuas graças, ó rei, e se for do teu agrado, concede-me a vida, eis o meu pedido! E a vida do meu povo, eis o meu desejo" (Est 7,3). Ele destaca que é de fato uma intercessora que pede uma vida mais digna para o seu povo.
Por fim, o Bispo salienta que o Evangelho das bodas de Caná coloca a própria mãe de Jesus, junto às cozinheiras daquele casamento, e ela mesma pede ao Filho que algo seja feito em favor daquela pobre gente que estava numa situação difícil. Embora Jesus tenha dito à mãe que a sua hora ainda não chegou, ela não teve dúvidas e disse aos serventes: "Fazei tudo o que Ele vos mandar" (Jo 2,5).
"Ela está realmente convicta de que este seu Filho poderia superar estas situações difíceis. Hoje ainda o nosso povo tem esta grande confiança na Mãe de Deus", avalia.
Aliás, o Prelado enfatiza que o Apocalipse a apresenta como "o grande sinal que apareceu no céu, uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés, e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas". (FB)
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