Porto Alegre - Rio Grande do Sul (Sexta-Feira, 21/08/2015, Gaudium Press) Com o título "Comprometidos com o reino", Dom Jaime Spengler, Arcebispo de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, escreveu um artigo sobre a missão dos fiéis leigos. Para ele, os leigos pertencem àquele povo de Deus que é representado na imagem dos trabalhadores da vinha, de que fala o Evangelho de Mateus: "O Reino dos Céus é semelhante a um proprietário, que saiu muito cedo, a contratar trabalhadores para a sua vinha. Ajustou com eles um denário por dia e mandou-os para a vinha".
Segundo o Prelado, os leigos são homens e mulheres que exercem suas funções e compromissos temporais, assumindo o compromisso de trabalharem decidida e corajosamente pela causa do Reino de Deus e a sua justiça na dimensão temporal. "São pessoas que se sabem discípulas do Crucificado-Ressuscitado e que se lançam na obra de transformação das diversas realidades terrenas para que toda a atividade humana seja transformada pelo Evangelho", completa.
Além disso, ele salienta que os leigos formam a grande maioria da comunidade dos fiéis, pois estão engajados nos diversos setores da vida eclesial e social, visibilizando a dinâmica do Reino de Deus. Para o Arcebispo, o fazem desenvolvendo as diversas atividades cotidianas, comprometidos na construção de um mundo mais justo e mais fraterno, engajados positiva e evangelicamente na construção de uma sociedade na qual todos tenham mais vida.
"Estes homens e mulheres, jovens e idosos inseridos em setores da sociedade, impregnam as realidades temporais com o espírito cristão, testemunhando os valores do Reino. Sustentados pela fé, sentem-se impelidos a buscar caminhos de identificação com o Cristo encarnado na história. São presença marcada por conteúdo, atitudes, ações e gestos que fazem a diferença", avalia.
Dom Jaime reforça que a Igreja, situada entre as realidades materiais, sabe da missão específica dos leigos: "prestar um testemunho credível à verdade salvífica do Evangelho, ao seu poder de purificar e transformar o coração humano e à sua fecundidade na edificação da família humana na unidade, justiça e paz".
Outra questão abordada pelo Prelado é que o vigor da fé se manifesta no engajamento de cada fiel leigo nas realidades temporais, manifestando solidariedade para com os menos favorecidos da sociedade, empenhando-se na obra do cuidado pela casa comum e procurando colocar as próprias intuições, dons, talentos e carismas ao serviço da promoção e do crescimento humano de todos.
Paulo VI dizia que "os leigos, a quem a sua vocação específica coloca no meio do mundo e à frente de tarefas as mais variadas na ordem temporal, devem também eles, através disso mesmo, atuar uma singular forma de evangelização. A sua primeira e imediata tarefa (...) é o pôr em prática todas as possibilidades cristãs e evangélicas escondidas, mas já presentes e operantes, nas coisas do mundo. O campo próprio da sua atividade evangelizadora é o mesmo mundo vasto e complicado da política, da realidade social e da economia, como também o da cultura, das ciências e das artes, da vida internacional, dos 'mass media' e, ainda, outras realidades abertas para a evangelização, como sejam o amor, a família, a educação das crianças e dos adolescentes, o trabalho profissional e o sofrimento".
E continuou: "Quanto mais leigos houver impregnados do Evangelho, responsáveis em relação a tais realidades e comprometidos claramente nas mesmas, competentes para as promover e conscientes de que é necessário fazer desabrochar a sua capacidade cristã muitas vezes escondida e asfixiada, tanto mais essas realidades, sem nada perder ou sacrificar do próprio coeficiente humano, mas patenteando uma dimensão transcendente para o além, não raro desconhecida, se virão a encontrar ao serviço da edificação do reino de Deus e, por conseguinte, da salvação em Jesus Cristo".
Para concluir, o Arcebispo afirma que, buscando recordar a característica da vocação laical, somos interpelados a, talvez, rever atitudes. "Eles não são suplementos ou reservas. Iluminados pelo Evangelho do Crucificado-Ressuscitado cooperam de forma privilegiada na expansão do Reino de Deus sobre a Terra", finaliza. (FB)
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 296, Agosto 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 295, Julho 2026
Quem são os Arautos do Evangelho?
Auxílio dos Cristãos
Músicas Natalinas