Haemi - Coreia do Sul (Segunda-feira, 18-08-2014, Gaudium Press) - Na última etapa de sua Viagem Apostólica à Coréia, na manhã do domingo, 17, o Papa Francisco deixou a Nunciatura Apostólica, em Seul, e dirigiu-se ao Santuário do "Mártir desconhecido", em Haemi, a 102 Km da capital.
O Santuário é dedicado "ao mártir desconhecido" porque a identidade da maior parte dos 132 mártires coreanos ali mortos é desconhecida. O martírio deu-se na segunda metade do Século XIX.
Foi justamente nesse Santuário que os Bispos do Continente Asiático reuniram-se para encontrar-se com Francisco.
Houve celebração da Liturgia das Horas e, logo após, o Cardeal Oswald Gracias, arcebispo de Mumbay, na Índia, e Presidente da Federação das Conferências Episcopais da Ásia (FABC), fez uma saudação ao Santo Padre.
Foi a oportunidade para serem descritos ao Papa os principais problemas encontrados pela Igreja naquele continente.
O Cardeal lembrou que 60% da população do mundo vive na Ásia e que sua maioria é de jovens. Para ele, realmente, um continente fundamental para o futuro do mundo e o futuro da Igreja.
Nas suas palavras iniciais, o Papa saudou de modo fraterno e cordial a todos e agradeceu a Deus a realização daquela reunião em local tão sagrado onde, numerosos cristãos, dando sua vida, expressaram sua fidelidade a Cristo.
Francisco fez uma breve observação em suas palavras introdutórias evocando os que ali tinham testemunhado sua Fé em Cristo:
"Disseram-me que há mártires sem nome, porque não sabemos o nome deles: são santos sem nome. Isso me faz pensar nos muitos, muitos cristãos santos, em nossas Igrejas: crianças, jovens, homens, mulheres, anciãos... Muitos! Não sabemos o nome, mas são muitos. Faz bem a nós pensar nessas pessoas simples que levam avante a sua vida cristã, e somente o Senhor conhece a santidade delas."
Em seu discurso aos bispos da Ásia o Santo Padre lançou um olhar sobre a missão da Igreja em todo o continente asiático e afirmou que o testemunho da caridade dos mártires tornou-se graça e bênção para a Igreja na Coreia e para a Igreja além de suas fronteiras.
"Neste vasto Continente, onde convive uma grande variedade de culturas, a Igreja é chamada a ser versátil e criativa no seu testemunho do Evangelho, através do diálogo e da abertura a todos. Este é o desafio de vocês! Na verdade, o diálogo faz parte essencial da missão da Igreja na Ásia. Devemos empreender o caminho do diálogo, com indivíduos e culturas, partindo da nossa identidade própria de cristãos, com abertura de mente e de coração."
Porém, o Papa advertiu os Bispos asiáticos para que não caíssem na tentação do espírito do mundo, que se manifesta de três maneiras: o "relativismo", que obscurece o esplendor da verdade, se infiltra nas comunidades cristãs e enfraquece a nossa identidade; a "superficialidade", que, numa cultura, exalta o efêmero e oferece numerosos lugares de evasão e fuga, representando um grave problema pastoral; e a "aparente segurança" humana de esconder-se atrás de respostas fáceis, frases prontas, leis e regulamentos.
Precisamos de muita fé, que impele à missão e nos dá a capacidade de ser corajosos e humildes no nosso testemunho de esperança e amor, disse ele.
A identidade dos Pastores das diversas Igrejas consiste no compromisso de adorar a Deus, amar, servir e dar testemunho cristão aos outros. A fé viva em Cristo constitui a nossa identidade mais profunda, continuou.
Diante de um grande Continente como é o Asiático, com sua vasta extensão de terra e antigas culturas e tradições, damo-nos conta de que suas comunidades cristãs têm a missão de levar a luz do Evangelho até os confins da terra, disse por fim o Papa,
Que o Bom Pastor guie e robusteça seus os esforços na missão de reunir o seu rebanho espalhado pelo mundo, pediu o Pontífice.
Após o encontro com os Bispos da Ásia, o Papa cumprimentou cada um dos presentes e, depois, almoçou no refeitório da Residência do Santuário com todos eles. (JSG)
Da Redação, com informações Gaudium Press
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