Ancona (Segunda-feira, 12-09-2011, Gaudium Press) O Papa Bento XVI viajou na manhã deste domingo, 11, à cidade de Ancona, na Itália. O motivo da visita: presidir a celebração da eucaristia pelo encerramento do 25º Congresso Eucarístico Nacional. Esta é a segunda vez que o pontífice participa deste evento. A primeira aconteceu há seis anos, logo após a sua eleição. Naquela ocasião, o Santo Padre se dirigiu a Bari.
Durante sua homilia realizada junto ao estaleiro Fincantieri, Bento XVI dirigiu-se a cerca de cem mil fiéis e a 135 bispos do país. Reafirmando a primazia de Deus na nossa vida, o Santo Padre disse que "diante do discurso de Jesus sobre o pão da vida, na Sinagoga de Cafarnaum, a reação dos discípulos, muitos dos quais abandonaram Jesus, não está muito longe de nossas resistências diante do dom total que Ele faz de si mesmo". Segundo o pontífice, no entanto, Deus quer que nós nos tornemos "realmente livres".
| Segundo Bento XVI, acreditar que podemos fazer algos sem Deus é uma ilusão |
"Aceitar realmente este dom significa deixar-se envolver e transformar para viver Dele", continuou o Santo Padre, destacando ainda aos presentes "que a palavra do Senhor é dura, porque dura foi para seus discípulos e dura permanece também para nós que "muitas vezes, confundimos a liberdade com a ausência de vínculos, com a convicção de podermos fazer sozinhos, sem Deus, que é visto como um limite para a liberdade".
Conforme Bento XVI, acreditar que podemos fazer algo sem Deus é uma ilusão que pode somente resultar em desilusão. "Só na abertura a Deus, no acolhimento de seu dom, nos tornamos verdadeiramente livres, livres da escravidão do pecado que desfigura o rosto do homem, e capazes de servir ao verdadeiro bem dos irmãos", declarou. Para o Santo Padre, "depois de ter deixado Deus de lado ou tê-lo tolerado como uma escolha privada que não deve interferir na vida pública, certas ideologias têm se direcionado a organizar a sociedade com a força do poder e da economia".
Falando sobre a celebração da eucaristia, o Papa destacou que nela acontece "a primazia de Deus"; primazia, que segundo ele, temos que recuperar no nosso mundo e na nossa vida. Conforme o Santo Padre, o ponto de partida para recuperar a plenitude da nossa vida é a Eucaristia. Neste sentido, o Papa afirmou a necessidade da "comunhão eucarística que nos tira do nosso individualismo e nos leva ao mistério da comunhão que é a Igreja". A partir da Eucaristia "nasce portanto um desenvolvimento social positivo, que têm no centro a pessoa, especialmente aquela pobre, doente ou em condições desfavoráveis".
Concluindo sua homilia, Bento XVI referiu-se de modo especial aos fiéis, que, conforme ele, atualmente, assim como os santos, ao longo dos séculos, precisam de uma espiritualidade eucarística que é "um verdadeiro antídoto ao individualismo e ao egoísmo, que nos leva a redescobrir a gratuidade, a centralidade das relações, a partir da família, que é também a alma de uma comunidade eclesial que supera divisões e contraposições e que nos ajuda a superar a incerteza do precário e o problema do desemprego, assim como as diversas formas de fragilidade humana".
A Santa Missa presidida pelo Santo Padre no Estaleiro de Ancona foi o ponto central do 25° Congresso Eucarístico Nacional italiano que teve início no dia 3 de setembro passado sobre o tema "Eucaristia para a vida cotidiana". Após a missa, o Papa encontrou, à tarde, as famílias, os sacerdotes e os jovens noivos da cidade.
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