Londrina - Paraná (Segunda-Feira, 06/10/2014, Gaudium Press) Em seu mais recente artigo, Dom Orlando Brandes, Arcebispo de Londrina, no Estado do Paraná, escreveu sobre alguns pensamentos de São João 23. Papa e agora santo, São João 23 é o Santo do Concílio, da Paz e do Diálogo. Seu lema era "obediência e paz". Para o Prelado, a santidade foi o segredo da bondade do santo. São João 23 foi o profeta, o artífice e o anjo da paz, na Igreja e no mundo.
O Arcebispo de Londrina recorda a seguinte frase do santo: "Minha grandeza consiste em fazer a vontade de Deus. A chave e o fundamento da vida espiritual é fazer a vontade de Deus, aceitando renúncias, sacrifícios, humilhações, perdas e as coisas mais repugnantes. Meu lema, minha empresa, meu plano espiritual é: obediência e paz. É a conformidade com a Divina Providência. Isso me traz paz. A vontade de Deus é nossa paz".
Outro pensamento que São João 23 possuía era de que ele não era nada, não tinha nada, não valia nada, e por isso mesmo queria caminhar na simplicidade e na pureza. "Ser livre de honras, carreiras, sucesso, prestígio. A simplicidade me dá paz, porque a paz e a simplicidade andam juntas. A simplicidade me faz confiar na misericórdia de Deus. Sinto com isso a paz interior que é o máximo dos bens. A paz e o bem indicam o sucesso de uma vida feliz", afirmava o santo.
Ele também acreditava, segundo Dom Brandes, que a sua obrigação, seu desejo, sua tarefa principal era a de ser santo. "Esta é a minha ocupação diária, serena e tranquila. Lembro-me disso desde o abrir os olhos ao acordar, até fechá-los no sono da noite", dizia João 23. Ele ainda destacava que tinha serenidade e paz, constância e intransigência, desconfiança de si mesmo e comunicação afetiva ininterrupta com Deus, e que queria ser livre do egoísmo, da centralização, do apego e das paixões.
"Sinto-me livre em aceitar a saúde ou a doença, a vida ou a morte, a honra ou a humilhação. Quero espoliar-me de tudo. Oh feliz simplicidade. Recebi a graça de não desejar honras, cargos, prestígio. Isso me dá paz, ajuda-me a cumprir meu dever, abrir-me à humilhação e a sofrer para a glória de Deus. Assumo minha missão com temor e tremor porque sou frágil e lábil. Esforço-me para que haja um só palpitar do meu coração com o coração de Jesus", anunciava São João 23.
Além disso, conforme o Arcebispo, o santo colocava sua vida sobre cinco pilares: ver Deus em todas as coisas; viver nos braços da providência e bondade de Deus; viver a caridade com inexaurível paciência; aceitar com alegria os sacrifícios; viver para a glória de Deus e participar da glória da vida eterna.
Dom Brandes ressalta também que São João 23 cultivava uma amizade familiar com Jesus, e esta amizade ligava seu coração de Jesus. "Não sois meus empregados, sois meus amigos" (Jo 15,15). De acordo com o santo, a amizade com Jesus não faz barulho exterior, é uma difusão de amizade e paz que transpira por toda a pessoa. Ele dizia que esta amizade domina as paixões, dá uma gentileza extraordinária, uma fineza no agir.
O último pensamento do santo, lembrado aqui pelo Prelado, é este: "Os dez mandamentos e as oito Bem-aventuranças são nossos dois braços para abraçar Deus, os irmãos e o mundo. Sou velho, mas, tenho esperança do rejuvenescimento da Igreja. Fiz o propósito de ser bom até ao heroísmo, pois, quero ser irmão de todos. Mesmo sendo Papa eu sou sempre o mesmo. Só mudei de nome e de vestes. Quero ser santo porque antes de tudo sou filho de Deus". (FB)
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