Lisboa - Portugal (Sexta-feira, 08-12-20017, Gaudium Press) Em Portugal o dia 8 de dezembro é feriado nacional.

É o dia da Imaculada Conceição de Maria ou Nossa Senhora da Conceição Imaculada, dia que a Igreja comemora oficialmente esta solenidade que honra o fato de Maria ter sido concebida sem pecado original.
Em Portugal esta data tem foros especiais. A comemoração tem tais raízes na consciência nacional e tem tal importância histórica para o país que o reconhecimento deste privilégio mariano da Imaculada Conceição faz fundir historicamente a espiritualidade e a identidade do país.
O dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Maria não é apenas um feriado, ele relembra o anseio religioso coletivo que um dia tornou-se reconhecido.
Com efeito, o dogma da Imaculada Conceição de Maria foi proclamado a 8 de dezembro de 1854, através da bula ‘Ineffabilis Deus', a qual declara a santidade da Virgem Santa Maria desde o primeiro momento da sua existência, sendo preservada da mancha e das consequências do pecado original.
Em Portugal essa devoção já possuía raízes profundas na alma do povo, já mesmo antes daquele dia em que o País nasceu como Nação e recebeu da Imaculada, em famosa e vitoriosa batalha, seu primeiro sorriso, sua primeira bênção.
Desde de o Beato Nuno Alvares
A ligação entre Portugal e a Imaculada Conceição ganhara destaque em 1385, quando as tropas comandadas por Dom Nuno Alvares Pereira derrotaram o exército castelhano e os seus aliados, na batalha de Aljubarrota.
Em honra a esta vitória, o Santo Condestável fundou a igreja de Nossa Senhora do Castelo, em Vila Viçosa, e fez consagrar aquele templo a Nossa Senhora da Conceição.
A antiga igreja de Nossa Senhora do Castelo, espaço onde se ergue atualmente o santuário nacional, afirmou-se nos finais do século XIV como o primeiro sinal desta devoção, em toda a Península Ibérica.
Um segundo passo deu-se durante o movimento de restauração da independência que acabou com o domínio castelhano em Portugal e que culminou com a coroação de D. João IV como rei de Portugal, a 15 de dezembro de 1640, no Terreiro do Paço, em Lisboa.
O mesmo D. João IV, atento a uma religiosidade que também já envolvera a construção de monumentos como o Mosteiro da Batalha, o Convento do Carmo e o Mosteiro da Conceição, coroou a Imagem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa como Rainha e Padroeira de Portugal durante as cortes de 1646.
A Universidade de Coimbra tem um papel importante em todo este processo, já que todos os seus intelectuais defenderam o dogma sob forma de juramento solene.
Após a proclamação dogmática surgiu em Portugal um movimento no sentido de erguer um monumento nacional que assinalasse a definição de Pio IX.
Em 1869 concluiu-se esse primeiro monumento, no Sameiro, seguindo-se-lhe a construção dum santuário dedicado à Imaculada Conceição de Maria, cuja imagem foi coroada solenemente em 1904.
Portugal é Terra de Santa Maria, é Terra de Fátima, é Terra de Maria Imaculada e a alma portuguesa é um nicho onde esta devoção encontrou identidade, consonância e guarida desde sempre. (JSG)
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