Lisboa - Portugal (Terça-feira, 15/03/2016, Gaudium Press) - A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) divulgou uma nota para contestar uma eventual legalização da eutanásia em Portugal. A CEP rejeita soluções que coloquem em causa a "inviolabilidade" da vida.
O texto do comunicado do Conselho Permanente da CEP distribuído na segunda-feira, afirma que "Não se pode justificar a morte de uma pessoa com o consentimento desta. O homicídio não deixa de ser homicídio por ser consentido pela vítima: a inviolabilidade da vida humana não cessa com o consentimento do seu titular".
‘Eutanásia: o que está em causa? Contributos para um diálogo sereno e humanizador' é o título da nota pastoral que inicia recordando a existência de um debate sobre a eutanásia na Assembleia da República e na sociedade.
Os bispos portugueses fazem severas críticas à "atitude simplista e anti-humana" de quem embarca em soluções tidas como "fáceis" e remarca que "não se elimina o sofrimento com a morte: com a morte elimina-se a vida da pessoa que sofre".
Não é humano
Os bispos sustentam que "pode afirmar-se que a eutanásia é uma forma fácil e ilusória de encarar o sofrimento, o qual só se enfrenta verdadeiramente através da medicina paliativa e do amor concreto para com quem sofre".
A legalização da eutanásia e do suicídio assistido seria uma mensagem com "graves implicações sociais" na forma de encarar a doença e o sofrimento, diz a CEP:
"Há o sério risco de que a morte passe a ser encarada como resposta a estas situações, já que a solução não passaria por um esforço solidário de combate à doença e ao sofrimento, mas pela supressão da vida da pessoa doente e sofredora, pretensamente diminuída na sua dignidade. E é mais fácil e mais barato. Mas não é humano! ".
Suicídio Assistido
Os responsáveis católicos assinalam que alguns doentes, de modo particular os mais pobres e débeis, poderiam sentir-se "socialmente pressionados a requerer a eutanásia, porque se sentem ‘a mais' ou ‘um peso'".
Os bispos equiparam a eutanásia ao suicídio assistido, distinguindo estas práticas da "obstinação terapêutica:
"É bem diferente matar e aceitar a morte. Quer a eutanásia, quer a obstinação terapêutica, constituem uma ingerência humana antinatural nesse momento-limite que é a morte: a primeira antecipa esse momento, a segunda prolonga-o de forma artificialmente inútil e penosa".
Valor intrínseco da vida humana
Segundo a CEP, subjacente à legalização da eutanásia e do suicídio assistido está "a pretensão de redefinir tomadas de consciência éticas e jurídicas ancestrais" relativas ao respeito e à sacralidade da vida humana.
"O valor intrínseco da vida humana em todas as suas fases e em todas as situações está profundamente enraizado na nossa cultura e tem, inegavelmente, a marca judaico-cristã".
A nota dos Bispos de Portugal acrescenta que "nunca é absolutamente seguro que se respeita a vontade autêntica de uma pessoa", dado que este pedido pode representar "um estado de espírito momentâneo".
"O Estado e a ordem jurídica, ao autorizarem tal prática, estão a tomar partido, estão a confirmar que a vida permeada pelo sofrimento, ou em situações de total dependência dos outros, deixa de ter sentido e perde dignidade, pois só nessas situações seria lícito suprimi-la".
A CEP apela: tenhamos um "vasto trabalho de esclarecimento". A sociedade optará por "ajudar a viver até ao fim" e "não a matar ou a ajudar a morrer". (JSG)
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 296, Agosto 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 295, Julho 2026
Quem são os Arautos do Evangelho?
Auxílio dos Cristãos
Músicas Natalinas