Rio de Janeiro (Sexta-feira, 30-01-2015, Gaudium Press) Durante a quarta palestra do segundo dia do "Curso dos Bispos", realizado no Centro de Formação do Sumaré, no Rio Comprido, esteve presente o prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, Cardeal Angelo Amato.
Nesta ocasião, o purpurado comentou sobre o tema "Nostra Aetate: um olhar sobre a declaração", fazendo uma análise dos 50 anos de publicação do documento.
De acordo com o Cardeal Amato, a Declaração "Dominus Iesus", da Congregação para a Doutrina da Fé, "suscitou desde o seu aparecimento, um debate extremamente aceso", surgindo reações "que provinham do ambiente teológico e ‘missionário' católico, cujo comportamento, pelo contrário, deveria ter sido, além de adesão ao magistério, sobretudo de reflexão sobre os motivos que tinham levado a Congregação a uma tal precisão doutrinal".
"A Declaração reafirmava a plenitude e a definibilidade da revelação de Jesus Cristo, contra as teorias da complementaridade de revelações não cristãs", disse, lembrando ainda que ela reforçava "a unidade e a unicidade da economia salvífica querida por Deus Trindade, em cuja fonte e em cujo centro, está o mistério da encarnação, rejeitando a hipótese de uma economia do Espírito Santo, com um raio de ação mais amplo e uma eficácia mais universal do que aquela do Verbo encarnado".
Segundo o religioso, "a Declaração, por fim, reafirmava a necessidade da Igreja em ordem à salvação, no momento em que esta é sacramento universal de salvação".
O Cardeal Amato acredita que "a obediência à reta consciência, que é a voz de Deus inscrita no coração humano, é uma segunda possibilidade de salvação oferecida a todos os seres humanos", uma vez que "o homem tem uma real lei escrita por Deus no seu coração: obedecer a esta é a própria dignidade do homem, e segundo esta ele será julgado".
O prefeito da Congregação para a Causa dos Santos ressaltou ainda que uma das vias de salvação existentes é "fazer o bem e evitar o mal", pois "no íntimo da consciência, o homem descobre uma lei que ele não deu a si mesmo, mas à qual, antes, deve obedecer e a cuja voz, que o chama sempre a amar e a fazer o bem e a fugir ao mal, quando ocorre, claramente diz aos ouvidos do coração: faz isto, foge daquilo".
"Se os meios de salvação são oferecidos com abundância na Igreja, também fora desta não faltam vias através das quais Deus atrai as almas à graça e à Fé."
Sobre a necessidade da "missio ad gentes", o Cardeal disse que a Dominus Iesus "continua, hoje mais que nunca, um válido apelo de clareza doutrinal e pastoral, como base da catequese, da nova evangelização e da ‘missio ad gentes'".
"A recepção do magistério, sobretudo pontifício, é um tema de autêntica formação sacerdotal. É a herança dos Padres da Igreja e dos grandes teólogos de todos os tempos e sobretudo é o modo de agir dos Santos", acrescentou. (LMI)
Da redação Gaudium Press, com informações Arquidiocese do Rio de Janeiro
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