Guangzhou - China (Terça-feira, 27-01-2015, Gaudium Press) Uma testemunha de exceção do agitado século XX e as vicissitudes que ainda padece a Igreja na China no século XXI faleceu no último dia 20. Trata-se do Padre Ye Yaomin, que vivia em Guangzhou, China, e que era o sacerdote de maior idade no país. Com 105 anos, o testemunho do sacerdote era o de um amor à Igreja que nunca se extinguiu.
| O Padre Ye Yaomin enfrentou as épocas mais duras da perseguição na China. Na imagem, uma celebração da Igreja subterránea. Foto: Oscarlhs. |
O Padre Yaomin decidiu reduzir alguns tratamentos médicos adicionais diante da iminência de sua morte para terminar a vida entre os seus na paróquia da Imaculada Conceição. "Nos disse que a Igreja era seu lar e que ele devia morrer em seu lar", comentou a religiosa Chen Jianyin, que cuidou do presbítero em suas últimas duas décadas de vida.
A vida do Padre Yaomin esteve marcada por acontecimentos históricos de enorme importância como a queda dos imperadores, as divisões do país na formação da república e a guerra contra o Japão. Justamente durante esta guerra, em 1937, foi quando o Padre Yaomin ingressou no Seminário de Hong Kong, onde se formou até 1945 para regressar a sua natal Guangdong onde foi ordenado sacerdote em 1948.
As condições para a Igreja mudaram radicalmente em 1949, após a ascenção ao poder do regime comunista. As restrições à liberdade religiosa chegaram a seu ponto mais alto na chamada "revolução cultural" e em 1955 o Padre Yaomin foi preso por receber notícias de seus companheiros de seminário em Hong Kong, território sob domínio britânico. Por este delito, o sacerdote foi enviado para cuidar de porcos na província de Qinghai.
A estadia do Padre Yaomin nos trabalhos forçados se estendeu até 1980, quando lhe foi permitido regressar à sua região e pode finalmente exercer seu ministério quando já tinha 70 anos de idade. Diante da oportunidade de recuperar o apostolado suspenso pela pressão estatal, o Padre rejeitou várias oportunidades de migrar para o estrangeiro, às quais apenas respondia: "China necessita de sacerdotes".
Depois dos grandes sofrimentos que suportou por causa de sua dignidade sacerdotal, o Padre Yaomin ofereceu um testemunho espiritual de generosidade e perdão. Dividia abundantemente seus bens, segundo recorda a Irmã Chen: "Ele sempre dizia 'esse era dinheiro de Deus, não meu, Ele simplesmente usou minhas mãos para dar aos outros". Diante de uma pergunta de um visitante, o Padre Yaomín negou odiar aos comunistas pelos anos de cativero. "Não, odiar é em si mesmo um pecado", respondeu. (GPE/EPC)
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