Novena de Natal
NOVENASA Novena de Natal é rezada normalmente nos nove dias que antecedem o nascimento do Menino Jesus, ou seja, entre os dias 16 e 24 de dezembro; mas nada impede que seja rezada em outros dias também.
São José
(Mateus 1, 18-25 e 2, 13-23)
Hoje, no segundo dia da novena de Natal, vamos considerar a figura de São José.
No presépio, ele está sempre um pouco recuado, quase na sombra, olhando para o Menino e amparando Maria e Jesus com a sua vigilância amorosa.
O Evangelho o define com uma só palavra: era JUSTO .
Quando a Bíblia diz de alguém que é justo, quer dizer que é bom, que é reto, que está sempre em plena sintonia com Deus, com os seus preceitos e os seus pedidos.
São José foi reto no meio das dificuldades, como foi leal com Deus e com Maria naqueles momentos desconcertantes em que não entendia o que estava acontecendo.
Lembremo-nos do Evangelho. São Mateus conta que, depois de Maria “ter concebido por virtude do Espírito Santo, José, seu esposo, que era um homem justo e não queria infamá-La, resolveu deixá-La secretamente” (Mt 1, 19).
O justo José percebeu a gravidez de Maria, que era um tremendo mistério entre ela e Deus. E aqui começou a sua reação: em nenhum momento quis pensar mal d’Ela. Nem por um segundo admitiu a possibilidade de que nela houvesse a menor sombra de pecado ou de traição… Ele A amava, ele A conhecia, ele percebia a pureza santíssima dos olhos, dos gestos, da alma de Maria…
Olhando para Maria, José sentia-se envolto num mistério inefável que o ultrapassava. E Deus permitiu que sofresse isso para que nós víssemos o que é ser justo, o que é ser bom. Porque, não querendo nem por sombra pensar mal, a primeira coisa que lhe veio à cabeça foi proteger Maria e não acusá-La.
Ser reto é isso: fazer o que a consciência indica como o melhor caminho, o mais certo, o mais perfeito aos olhos de Deus, ainda que esse bom caminho nos traga sacrifícios e prejudique os nossos interesses. José era reto porque agia por motivos retos, puros, por amor, por fidelidade, por honradez.
Precisou de muita coragem e de muita fé em Deus, como Maria. Aquilo era saltar no escuro. Era lançar todo o seu futuro nas mãos do Senhor e esperar que Ele cuidasse de tudo como um Pai.
Como custa o desprendimento!
Quantos casais rezariam mais e lutariam melhor para superar desavenças se pensassem no outro, ao invés de dizer que estão saturados, que não aguentam mais ou que chegou a hora de cada um “aproveitar a vida enquanto é tempo”. José não quis aproveitar nada. Só quis ser bom e fiel. E tudo por amor.
Por isso Deus o amou com predileção. Passados os primeiros momentos de angústia, Este O tranquilizou: “Eis que um Anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: ‘José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua Esposa, pois o que n’Ela foi concebido é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho, e tu Lhe porás o Nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados’” (Mt 1, 20-21).
Que alegria deve ter inundado a alma de José ao receber essa mensagem! Com que carinho imenso, com que admiração, com que veneração olharia para Maria a partir daquele momento!
Vejam que a vida de José se pode escrever com as mesmas palavras com que Deus lhe vai manifestando a sua vontade. Recebe as indicações de Deus com o coração aberto e não perde um minuto hesitando, negociando… Ao contrário, na hora, com muita paz e serenidade, começa a pôr em prática o que Deus lhe manifesta.
Esta é a grande lição que José nos dá hoje. Vamos pedir-lhe que nos ajude a ser justos; que nos ensine também a ser retos nos nossos juízos sobre os outros, a não pensar precipitadamente nem julgar mal; que nos ensine a estar sempre em sintonia com o que Deus quer.
Ó Deus de bondade, que nos destes Maria e José como exemplo,
concedei-nos imitar as suas virtudes para que,
unidos pelos laços do amor, possamos chegar um dia às alegrias da vossa casa.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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