Caríssimos irmãos
A leitura que há pouco ouvimos, tirada do livro do profeta Jeremias, nos ajuda a compreender o mistério da vocação. Escreve ele:
Foi-me dirigida nestes termos a palavra do Senhor: “Antes que no seio fosses formado, Eu já te conhecia; antes de teu nascimento, Eu já te havia consagrado, e te havia designado profeta das nações”.
E eu respondi: ‘Ah! Senhor JAVÉ, eu nem sei falar, pois que sou apenas uma criança’. Replicou, porém, o Senhor: “Não digas: ‘Sou apenas uma criança’: porquanto irás procurar todos aqueles aos quais te enviar, e a eles dirás o que Eu te ordenar.
“Não deverás temê-los porque estarei contigo para livrar-te” – oráculo do Senhor. E o Senhor, estendendo em seguida a sua mão, tocou-me na boca. E assim me falou: “Eis que coloco minhas palavras nos teus lábios” (Jr 1, 4-9).
Rendemos graças a Deus por esta nova expressão de vida consagrada
O Deus que é, que era e sempre será quis desde toda a eternidade este momento no seu plano amoroso e providencial. Pela graça de Deus, estamos nesta Basílica onde se venera Maria, a Mãe de Deus Encarnado.
Aqui nos encontramos para orar com e por aqueles chamados por Deus a servir a Igreja como diáconos e presbíteros. Eles a servirão como membros da Sociedade Clerical de Vida Apostólica Virgo Flos Carmeli, que tem suas raízes nos Arautos do Evangelho.
Rendemos graças a Deus por esta nova expressão de vida consagrada, e pelo Pe. João Clá, o qual respondeu com generosidade ao chamado de Deus.
Nesta época, na qual em tantas partes do mundo se lamenta a crise vocacional, é uma grande bênção testemunhar o fenomenal crescimento dos Arautos e do Instituto Clerical em tão pouco tempo.
Agradecemos a Deus por todos aqueles que ajudaram e deram assistência a esses candidatos no percurso de formação e maturação para a ordenação diaconal e presbiteral.
O exemplo, o apoio amoroso e as orações dos pais, avós, irmãos e irmãs, sacerdotes e pessoas consagradas que auxiliaram esses homens a escutar o Deus que os chama.
Vossa vocação exige uma dedicação total
Caríssimos, lembrai-vos de que a vocação que recebestes é um dom misterioso e gratuito de Deus. Esse dom, contudo, não é para nós, mas para a sua Igreja.
É um dom para o seu povo, o qual deve ver em nós o Cristo que permanece no meio do seu povo e que, através dos homens chamados ao serviço nas Ordens Sagradas, continua a amar e santificar o seu povo.
Eles se tornarão ministros de Cristo, Mestre, Sacerdote e Pastor, porque ajudarão a edificar o Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja, povo de Deus e templo santo do Espírito.
Unidos ao sacerdócio do Bispo, os presbíteros e diáconos serão consagrados para a pregação do Evangelho, para a santificação e guia do povo de Deus, para a celebração do culto divino, especialmente o Sacrifício do Senhor.
Esses encargos exigem uma dedicação total, para que o povo de Deus os reconheça como verdadeiros discípulos de Cristo, o qual não veio para ser servido, mas para servir.
Caríssimos filhos candidatos ao diaconato, o Senhor vos deu o exemplo para que façais como Ele fez.
Como ministros de Jesus Cristo, que Se mostrou como um servo em meio a seus discípulos, permanecei sempre prontos e disponíveis para cumprir a vontade de Deus, e servi com alegria e generosidade o Senhor e os irmãos.
Lembrai-vos de que ninguém pode servir a dois senhores, e, pondo vossa vida a serviço do Senhor, rejeitai os ídolos da impureza e da avareza, que escravizam os homens.
As palavras de São Pedro
Ouçamos novamente as palavras de São Pedro, tiradas da segunda leitura de hoje:
Sede, portanto, prudentes e vigiai na oração. Antes de tudo, mantende entre vós uma ardente caridade, porque a caridade cobre a multidão dos pecados.
Exercei a hospitalidade uns para com os outros, sem murmuração.
Como bons dispensadores das diversas graças de Deus, cada um de vós ponha à disposição dos outros o dom que recebeu: a palavra, para anunciar as mensagens de Deus; um ministério, para exercê-lo com uma força divina, a fim de que em todas as coisas Deus seja glorificado por Jesus Cristo.
A Ele sejam dados a glória e o poder por toda a eternidade! Amém (1 Pd 4, 7-11).
Uma reflexão para os candidatos ao diaconato
Já que livremente vos aproximais da ordem do diaconato, seguindo o exemplo dos diáconos escolhidos pelos Apóstolos para o ministério da caridade, sede dignos da estima do povo de Deus, cheios do Espírito Santo e de sabedoria.
Escolhestes o celibato consagrado para vos tornardes sinal e anúncio da caridade pastoral, fonte de fecundidade espiritual no mundo.
Animados do desejo de um sincero amor a Cristo e vivendo com total dedicação nesse estado de vida, vós vos consagrais ao Senhor a um título novo e sublime.
E unindo-vos a Ele com um coração não-dividido, tereis mais liberdade de vos dedicar ao serviço de Deus e aos homens, como devem ser os ministros de Cristo, dispensadores dos mistérios de Deus.
Nunca diminua em vós a esperança do Evangelho, do qual sereis não apenas espectadores, mas arautos e testemunhas.
Conservai numa consciência pura o mistério da Fé, manifestai com vossas obras a palavra de Deus que pregais, para que o povo cristão, animado pelo Espírito Santo, torne-se uma oblação pura, agradável a Deus.
E quando fordes ao encontro do Senhor no último dia, cada um de vós possa ouvi-Lo dizer: “Muito bem, servo bom e fiel; vem regozijar-te com teu senhor” (Mt 25, 21).
Uma palavra aos candidatos ao presbiterato
Quanto a vós, diletíssimos filhos prestes a receber a ordem do presbiterato, que há anos sois Arautos do Evangelho, recordai novamente as palavras de Deus ao profeta Jeremias: “Eis que coloco minhas palavras nos teus lábios”.
Pela ordenação sacerdotal, participareis da missão de Cristo, único Mestre. A todos dispensai aquela palavra de Deus que vós mesmos recebestes com alegria.
Lede e meditai assiduamente a palavra do Senhor para crer naquilo que tiverdes lido, ensinar o que tiverdes aprendido na Fé, viver o que tiverdes ensinado.
Vosso próprio ser, como o de Maria, deve refletir a santidade de Deus. Possais vós ter a graça de cantar com Maria, Mãe de Cristo, o Sumo Sacerdote, e nossa Mãe: “Minha alma glorifica ao Senhor”.
No Evangelho de hoje, Simão Pedro fala pela Igreja de então e de todos os tempos: “Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna” (Jo 6, 68).
Esta basílica, através da beleza dos mármores e das pedras, proclama a Fé da Igreja de que Jesus é o Verbo de Deus encarnado, carne e sangue de Maria, a qual por isso é reconhecida como Mãe da Igreja.
O convite batismal à santidade é mais urgente para os sacerdotes
Meus filhos, o convite batismal à santidade é mais urgente na vida daqueles que são ordenados sacerdotes, porque pela ordenação nós exercemos nosso ministério in persona Christi.
Vossas mãos erguerão o pão e o cálice, vossos lábios pronunciarão as palavras da consagração, mas será só pelo poder de Jesus Cristo, o Eterno e Sumo Sacerdote, que o pão e o vinho se transubstanciarão no Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo.
“Este é o meu Corpo… Este é o meu Sangue”: eis a palavra que Deus põe na vossa boca, por meio da ordenação sacerdotal.
Nosso Santo Padre Bento XVI, na Exortação Apostólica Sacramentum caritatis, nos ensina a este propósito:
A doutrina da Igreja considera a ordenação sacerdotal condição indispensável para a celebração válida da Eucaristia.
De fato, no serviço eclesial do ministro ordenado, é o próprio Cristo que está presente na sua Igreja, como cabeça do seu corpo, Pastor do seu rebanho, Sumo Sacerdote do sacrifício redentor.
Certamente o ministro ordenado age também em nome de toda a Igreja, quando apresenta a Deus a oração da mesma Igreja e, sobretudo, quando oferece o sacrifício eucarístico.
Por isso, é necessário que os sacerdotes tenham consciência de que, em todo o seu ministério, nunca devem colocar em primeiro plano a sua pessoa nem as suas opiniões, mas Jesus Cristo.1
O Evangelho de hoje conclui a narração de São João sobre o ensinamento de Jesus e a Fé da Igreja na Eucaristia. Muitos naquele tempo se afastaram e muitos hoje se afastam de Jesus por causa de seu ensinamento de que o pão e o vinho se tornam seu Corpo e seu Sangue.
Com São Pedro, porém, nós proclamamos este Mistério da Fé! A Eucaristia é a fonte e o ápice da vida da Igreja, e, portanto, é a fonte e o ápice da vida sacerdotal e do ministério sacerdotal.
Tudo quanto vós fazeis, tudo quanto tendes como sacerdotes, adquire seu significado e sua força do Mistério salvífico da morte e Ressurreição de Cristo, presentes na Eucaristia.
Reconhecei, pois, aquilo que fazeis, imitai aquilo que celebrais, para que, participando do mistério da Morte e Ressurreição do Senhor, porteis em vossos membros a Morte de Cristo e caminheis com Ele na nova vida.
Possa Maria, a Mãe de Deus, a Mãe da Igreja, a Rainha do Clero, a Senhora da Eucaristia, interceder por vós, e possais assim vos conformar sempre mais à Palavra que proclamais, aquela Palavra que se encarnou e mora no meio de nós.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 296, Agosto 2026
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