Enquanto anúncio e dom do amor que supera todo conhecimento, o Evangelho é uma oferta de beleza: Jesus Cristo não é só a verdade e o bem, Ele é a beleza que salva.

Belo é conhecê-Lo, belo é amá-Lo, belo é para nós, segundo a palavra de Pedro, “estar com Ele no alto da montanha” (cf. Mt 17,4).

Neste sentido, a via da beleza apresenta-se como pastoralmente fecunda para aproximar os homens ao Deus de Jesus Cristo e sustentar os esforços da Igreja a serviço da verdade. (…)

Se o testemunho é uma preciosa via para o anúncio do Evangelho, ele é inseparável do fulgor da beleza nos atos do discípulo interiormente transfigurado pelo Espírito de Cristo.

Onde se irradia a caridade, aí se manifesta a beleza que salva, aí se louva ao Pai Celeste, aí cresce a unidade dos discípulos do Amado, unidos a Ele como discípulos do seu amor crucificado e ressurrecto.

Essa beleza resplandece, portanto, especialmente na Igreja, na qual ela é vivida na acolhida recíproca e no respeito à variedade de dons e ministérios desejada pelo Senhor: é a beleza harmônica da ordem, da convergência pacificadora das partes no todo, da diversidade de comunhão.

E é a beleza irradiadora da caridade, o dom que evoca e representa o amor do Bom Pastor a cada um de nós.

Esta figura da beleza manifesta-se particularmente na Liturgia da Igreja, representação da caridade do Bom Pastor no coração da comunhão eclesial, ápice e fonte da vida e da missão do povo de Deus na História.

Sob essa luz, a ordem e a disciplina litúrgicas aparecem no seu verdadeiro significado de guardiã da beleza, a serviço de uma fiel e irradiante atualização do amor do Salvador.

 

Trechos do Discurso à Assembleia Geral do Pontifício Conselho para a Cultura – Arcebispo de Chieti-Vasto – Itália.