Cristo é o único Salvador. A Igreja está associada a Ele como cooperadora da salvação de todos, com a oração, o sacrifício, as obras de caridade e o anúncio do Evangelho. Temos uma responsabilidade universal.
E cada um de nós pode fazer próprias e repetir para si mesmo as palavras de Jesus: “O Espírito do Senhor está sobre Mim, por isso Me consagrou com a unção e Me mandou a anunciar aos pobres uma mensagem de alegria”.
A santidade é um chamado universal
Todos somos chamados à santidade, que consiste na perfeição da caridade.1 Todos somos chamados à missão por palavras e obras, para evangelizar, para libertar, curar e confortar, na alma e no corpo.
E já nesta mesma Celebração não podemos deixar de rezar pelas grandes divisões, violências, injustiças, sofrimentos, desastres naturais, doenças, pobreza, mentiras e fanatismos que sacodem o mundo […].
Fundamentalmente, a santidade cristã é uma; e uma é a missão. Mas ambas, santidade e missão, se realizam numa grande diversidade de dons, de deveres, de responsabilidades, de experiências e formas de vida: pastores da Igreja, pessoas consagradas e fiéis leigos.
E isso dentro de cada um desses estados de vida, quanta variedade e quanta criatividade do espírito e da genialidade humana! A vitalidade da Igreja e a fecundidade das suas missões precisam de muitas e de diversas contribuições. Todas preciosas.
Um apelo a cada um dos ministérios eclesiais
É preciso que os fiéis leigos tenham viva consciência da sua vocação missionária.
Que sintam a exigência interior de compartilhar a vida cristã com os demais: na família, na escola, no trabalho, entre os amigos, entre os companheiros de viagem, na comunicação social.
Que sintam o desejo de animar cristãmente a sociedade civil para fazê-la plenamente humana.
Que as pessoas de vida consagrada façam resplandecer a plenitude da união com Deus e sejam para todos um forte chamado à santidade e ao primado absoluto de Deus.
Fiéis aos carismas de seus institutos, sintam o dever de em cada momento ser a face solícita da Igreja que se inclina para os mais frágeis e necessitados, acompanhando e sustentando o caminho do povo de Deus.
Que os fiéis também sejam inseridos nas atividades pastorais com uma variedade de serviços de acordo com suas aptidões e segundo as necessidades da comunidade.
Para isso, mais do que nunca são necessárias figuras ministeriais de respeito: bem preparadas espiritualmente, teologicamente, pastoralmente, reconhecidas e autorizadas publicamente e comprometidas com uma certa estabilidade.
Que os diáconos, com sua já apreciada presença pastoral, façam com que se intua o quanto poderia potencializar-se a ação missionária da Igreja com outras figuras ministeriais, em cada setor.
Se são preciosos os vários ministérios, não devemos, porém, esquecer que absolutamente necessário é o ministério dos sacerdotes.
Os outros – como se exprimia de modo incisivo um documento do episcopado italiano – têm relação com o bem estar da Igreja como comunidade missionária, enquanto o ministério dos pastores tem relação com o seu próprio ser.
Esse é um motivo a mais para relançar com urgência a pastoral juvenil e vocacional. Cada sacerdote deve senti-la como algo que lhe diz respeito pessoal e intimamente.
Oferecer aos jovens a oportunidade de um encontro vivo com Cristo, através de itinerários e propostas educativas dentro das quais podem viver momentos fortes de escuta da Palavra, e momentos de oração, retiros espirituais, colóquios pessoais com os sacerdotes, experiências de serviço social e de evangelização.
Uma pastoral juvenil essencialmente vocacional, isto é, aberta às diversas vocações: ao matrimônio e à família, à vida consagrada, ao sacerdócio, à missão ad gentes. A Igreja cresce junta na harmonia das múltiplas vocações e dos vários carismas.
Os sacerdotes e o sacrifício eucarístico
Caríssimos sacerdotes, verifiquemos qual é nossa relação com o sacrifício eucarístico.
Quando celebramos, nos concentramos, estamos comovidos, ardorosos, felizes? Que impressão recebem os fiéis pelo nosso proceder? Temos e transmitimos um forte sentimento da presença do Senhor?
Vale a pena escutar a esse respeito um texto de São Francisco de Assis:
Prestai atenção à vossa dignidade, irmãos sacerdotes, e sede santos porque Ele é Santo […].
Seria uma grande miséria, e miserável mesquinhez se, tendo-O tão presente, cuidásseis de qualquer outra coisa que exista no mundo.
Que toda a humanidade tema, que todo o universo trema, que o Céu exulte quando sobre o altar, na mão do sacerdote, Cristo se faça presente, o Filho do Deus vivo.
Oh! admirável altura e estupenda dignificação! Oh! humildade sublime!2
A celebração da Missa deve, pois, dar o cunho a toda a nossa existência sacerdotal. Se a Eucaristia deve ser a vida de todos os cristãos, com maior razão deve ser dos sacerdotes.
É-se um digno sacerdote, diz São Tomás de Aquino, somente “se mediante a caridade nos tornamos uma só coisa com Cristo”.3
Bento XVI, na recente Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis nos lembra, a esse propósito, que
a espiritualidade sacerdotal é intrinsecamente eucarística. A semente de tal espiritualidade se encontra já nas palavras que o Bispo pronuncia na liturgia da Ordenação:
“Recebe a oferta do povo santo para o Sacrifício Eucarístico. Dá-te conta do que farás, imita aquilo que celebrarás, conforma a tua via ao mistério da Cruz de Cristo Senhor”.
Confiemos para isso no auxílio maternal de Maria, “Mulher eucarística”, como a definiu o Servo de Deus João Paulo II.
Coloquemo-nos na sua escola e nos deixemos levar por Ela, de modo que, celebrando com o espírito com o qual Ela, no canto do Magnificat, rendeu louvor e deu graças ao Senhor, também nossa vida seja toda um Magnificat, no dar glória a Deus e servir os irmãos.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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