A educação deve buscar o progresso integral da pessoa
As necessidades econômicas estimulam muitas vezes a privilegiar o ensino escolar, em desvantagem da educação integral dos jovens.
Para garantir um futuro à juventude, convém que a educação seja entendida como busca do progresso integral e harmonioso da pessoa, da maturação da consciência moral a fim de discernir o bem e agir em consequência, e como atenção à dimensão espiritual do jovem em crescimento. (…)
O vínculo fundamental entre todos os aspectos da educação deve ser fortalecido incessantemente. A unidade do caminho educativo levará a uma unidade cada vez maior da personalidade e da vida dos adolescentes.
Convém que todos se mobilizem e trabalhem juntos pelos jovens: familiares, professores, educadores, equipes de formação religiosa. Recordar-se-ão também de que aquilo que ensinam deve ser apoiado pelo testemunho de vida.
De fato, os jovens são sensíveis ao testemunho dos adultos, que para eles são modelos. A família permanece o lugar primordial da educação.
A falta de esperança da juventude está hoje muito marcada, no momento em que ela tem em si numerosos desejos, como me pude aperceber, sobretudo durante as Jornadas mundiais da Juventude.
Na exortação apostólica Ecclesia in Europa, escrevi que “na raiz da crise da esperança, está a tentativa de fazer prevalecer uma antropologia sem Deus e sem Cristo”, dando ao homem o lugar de Deus. “O ter esquecido Deus levou a abandonar o homem”.1
A verdadeira educação deve partir da verdade sobre o homem, da afirmação da sua dignidade transcendente. Ver todos os jovens através deste prisma antropológico, significa ajudá-lo a desenvolver o melhor de si mesmo, para que realize, no exercício de todas as suas capacidades, aquilo a que Deus o chama.
Discurso aos participantes do Simpósio Europeu sobre Os Desafios da Edicação, 03/07/2004.
A meta da autêntica educação católica
As instituições educativas da Igreja só serão capazes de contribuir eficazmente para a nova evangelização se conservarem e promoverem claramente a sua identidade católica. Isto significa que “os conteúdos do projeto educativo deverão fazer referência constante a Jesus Cristo e à sua mensagem, tal como a Igreja se apresenta na sua doutrina dogmática e moral”.2
Além disso, uma educação autenticamente católica tem em vista a integração do conhecimento no contexto de uma visão, da pessoa humana e do mundo, iluminada pelo Evangelho.
Pela sua virtude, os colégios e as universidades católicas são chamados a dar um testemunho institucional de fidelidade a Cristo e à sua palavra, da forma como no-la apresenta a Igreja, um testemunho público e expresso na exigência canônica do mandato. (…)
A presença da Igreja na educação primária e secundária deve constituir também o objeto da vossa solicitude especial de pastores do Povo de Deus. As escolas paroquiais locais fizeram muito para oferecer uma sólida formação acadêmica, moral e religiosa a numerosos cidadãos norte-americanos, tanto católicos como não-católicos. (…)
Pedir-vos-ia, inclusive, que animásseis os vossos presbíteros para que continuem a estar presentes e visíveis nas escolas das suas paróquias, e levem a cabo todos os esforços em vista de assegurar que, apesar das dificuldades financeiras, a educação católica seja acessível aos pobres e aos menos privilegiados da sociedade.
Os programas de educação religiosa constituem também um componente significativo da missão evangelizadora da Igreja.
Enquanto os programas catequéticos para as crianças e para os jovens, especialmente em relação à preparação sacramental, permanecem essenciais, há que prestar maior atenção às necessidades particulares dos jovens e dos adultos.
Os programas eficazes de educação religiosa, tanto a nível diocesano como paroquial, exigem um discernimento constante das exigências atuais das diversas idades e dos vários grupos, assim como a avaliação criativa dos melhores meios para as satisfazer, em particular a necessidade de formação para a oração mental, a leitura espiritual das Escrituras3 e a recepção fecunda dos Sacramentos.
Este discernimento constante exige um compromisso pessoal da parte do Bispo, juntamente com os Pastores, que são os diretos responsáveis pela instrução religiosa oferecida nas paróquias, dos professores de religião, cuja generosidade e experiência constituem um grande recurso para as vossas Igrejas particulares, e dos pais, que são chamados antes de todos os outros a formar os seus próprios filhos na fé na vida cristã.
Outubro de 2026, nº 298
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