A seita maniqueia dos cátaros (puros) deitou fortes raízes no Languedoc, sudoeste da França, em torno da cidade de Albi, de onde lhes veio o nome de albigenses.

Em sua História Universal da Igreja Católica, o conceituado historiador Rohrbacher demonstra que não se tratava simplesmente de uma heresia a mais, como tantas outras: “Eles não negavam apenas uma determinada verdade, mas toda verdade, toda religião, toda moral, toda justiça, toda sociedade”.

Segundo eles,

o mal, o pecado, o crime não decorrem do livre arbítrio do homem, mas sim da criatura, senão da própria substância do “Deus Mau”, que fez o universo visível. (…)

Daí concluíam os maniqueus: sendo o mal obra do “Deus Mau”, é uma injustiça castigar por ele o homem; a justiça humana, que pune os malfeitores, é uma atroz injustiça que precisa ser abolida a ferro e fogo. (…)

Uma vez que as coisas visíveis, materiais, físicas, são obra de Satanás, o Casamento, a procriação de filhos, é, pois, uma obra maldita, a qual é preciso execrar e impedir por todos os meios.

Negavam os albigenses a Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo e, em consequência, todas as outras verdades da Fé, com especial ênfase na Sagrada Eucaristia.

Para sustar a expansão dessa doutrina deletéria esforçaram-se os monges cistercienses e, sobretudo, o grande São Domingos de Gusmão.

 

Rohrbacher. História Universal da Igreja Católica, 9ª edição, 1903, tomo IX, p.135-136.