Nesta altura, gostaríamos de sublinhar dois elementos. Em primeiro lugar, a beleza do esposo, sinal de um esplendor interior e da bênção divina: “Tu és o mais belo dos filhos dos homens” (v. 3).

Precisamente com base neste versículo, a tradição cristã representou Cristo em forma de homem perfeito e fascinante.

Num mundo muitas vezes marcado por torpezas e fealdades, esta imagem é um convite a encontrar a via pulchritudinis na fé, na teologia e na vida social para ascender à beleza divina.

Porém, a beleza não é um fim em si mesma. A segunda nota que gostaríamos de propor diz respeito exatamente ao encontro entre beleza e justiça.

Com efeito, o soberano “avança… em defesa da verdade, da misericórdia e da justiça” (v. 5); ele “ama a justiça e odeia a injustiça” (cf. v. 8) e o seu cetro é um “cetro de justiça” (v. 7).

A beleza deve unir-se à bondade e à santidade de vida, de maneira a fazer resplandecer no mundo o rosto luminoso de Deus bom, admirável e justo.

 

Audiência Geral, 29/09/2004.

 

É relevante a insistência com que o Salmista exalta a mulher: ela é “toda formosura” (v. 14) e esta magnificência é expressa pelo hábito nupcial todo decorado de ouro e enriquecido com preciosos bordados (cf. vv. 14-15).

A Bíblia ama a beleza como reflexo do esplendor do próprio Deus; também as vestes podem ser sinal de uma luz interior resplandecente, de uma candura da alma.

 

Audiência Geral, 06/10/2004