Com a virgindade ou o celibato praticado por amor ao Reino dos Céus, os sacerdotes consagram-se a Deus com um novo e excelso título, unem-se a Ele com um coração não dividido, dedicam-se mais livremente, n’Ele e por Ele, ao serviço de Deus e dos homens.
Se chegou-se à conclusão de que o celibato, como é concebido, está ameaçado pelo mundo e pela sociedade moderna, as razões são múltiplas.
De um lado, nota-se que o fundamento espiritual e religioso do mundo no século XXI – não obstante alguns sinais de mudança – está carregado de um ceticismo que identifica nos conceitos de serviço, abstinência e continência sexual uma limitação da liberdade e da autodeterminação do indivíduo.
A experiência libertadora da continência, da humildade e da abstinência, com vistas a obter um objetivo superior, não é concebível por quem aderiu a esta mentalidade.
A presença permanente de mensagens com conotações sexuais na mídia, na publicidade e na linguagem é um elemento que não facilita a escolha pessoal, e torna frequentemente impossível a decisão de se dedicar à vida celibatária.
O homem se torna vítima de uma exposição sem controle à mídia, fazendo com que a vida consagrada do sacerdote corra sérios riscos. Pode-se provavelmente considerar o celibato como uma opção que não encontra apoio em nossa sociedade.
Além disso, também a teologia, nos últimos anos, contribuiu mais para a desorientação do que para o esclarecimento.
A perniciosa tendência a reduzir o homem à soma de seus componentes biológicos – ou a racionalidade da antropologia do materialismo mais extremo – considera a sexualidade como uma mera série de processos biológicos.
Desta impostação deriva a crítica ao celibato: seria contrário à natureza humana e, em consequência, também psicologicamente prejudicial. A esta visualização corresponde uma concepção puramente funcional e sociológica do sacerdócio da Igreja.
O sacerdote preencheria, no interior da Igreja, uma função segundo a clara definição sociológica e sócio-psicológica. A dimensão sacramental é completamente posta de lado.
As verdadeiras ameaças ao celibato residem, portanto, nos desenvolvimentos sociais, numa antropologia alienante e numa deficiente teologia do ministério sacerdotal.
Entretanto, quem segue a própria vocação sacerdotal e, na oração e na verdadeira humildade, presta serviço à humanidade, anuncia o Evangelho e vive a própria missão, na plena realização de si próprio, poderá defender-se destas ameaças com o olhar voltado para o Reino dos Céus.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
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