A comunicação humana, ao contrário do que às vezes aparenta, não está restrita apenas à expressão verbal.
O homem se relaciona com o mundo exterior – inclusive com os demais seres humanos – através de todos os seus sentidos, pelas mais diversas manifestações. No entanto, entre os sentidos externos um deles é superior aos demais: a visão.
Muito se pode dizer com um olhar!… Com razão afirmava uma sapiencialíssima senhora que, depois do serviço de Deus, “viver é estar juntos, olhar-se e querer-se bem”.
Quão profundo e verdadeiro ensinamento encerra esta frase, pois mediante uma troca de olhares as almas se comunicam de maneira inefável, transmitindo emoções e sentimentos que não está ao nosso alcance exprimir com palavras.
Apliquemos esta ideia à troca de dois olhares augustos, nos momentos mais simbólicos da História da humanidade: o olhar de Maria Santíssima que pousa nos divinos olhos de Jesus, seu Filho, no caminho do Calvário, e, posteriormente, na aparição de Nosso Senhor ressuscitado à sua Mãe.
Dois encontros carregados de significado e tão grandiosos sentimentos que, quando contemplados, ultrapassam as compreensões intelectivas e sensitivas.
De maneira quase incompreensível, tal espetáculo cala fundo no âmago das almas, elevando-as aos patamares da sublimidade.
O primeiro cruzar destes santos pares de olhos, durante a Paixão, continha o auge da dor de um Deus que, por amor, tornou-Se criatura para, com a sua Morte, resgatar a criação, dando-lhe a Vida.
Continha o auge da consternação do Homem-Deus que, vendo Maria transida de amargura, sabia ser a causa do sofrimento daquela criatura eleita, a mais perfeita dentre todas, a única que não mereceria sofrer.
Ademais, continha o olhar dolorido de uma Mãe zelosa e extremosíssima, considerando o padecimento inenarrável de seu Divino Filho.
Ambos os olhares, imóveis e silenciosos, porém, tão eloquentes em sua amorosa dor!
No segundo momento, contudo, que contraste com a primeira situação! Quanto júbilo havia na troca dos olhares de Nosso Senhor ressuscitado e Maria Santíssima! Olhares gaudiosos que se interpenetravam e festejavam a derrota da morte, o triunfo da Vida e a glória da Ressurreição!
Embora tão distintos, os dois encontros revelam uma nota comum, um selo que imprime o sentimento que os coroa: a participação mútua da extensão, da plenitude e do auge de um amor desmedido.
Pode-se afirmar, com segurança, que os olhares destas duas ocasiões abarcam a humanidade inteira e repercutem pelos séculos, num convite ininterrupto aos homens, para que se lancem no corajoso enfrentamento da dor – por amor Àqueles que por nós sofreram! –, cujo fim culminará na glória eterna.
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 297, Setembro 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 296, Agosto 2026
Revista Arautos do Evangelho, Ano XXV, nº 295, Julho 2026
Quem são os Arautos do Evangelho?
Auxílio dos Cristãos
Músicas Natalinas