Na primaveril manhã de 23 de maio de 1905, a Rainha D. Amélia de Orleans e Bragança, trajando vestido de gala, acompanhada de seu esposo, o Rei D. Carlos I, inaugurava o Museu dos Coches Reais, instalado no antigo Picadeiro Real, em Belém, Lisboa.

Essa oportuna iniciativa de D. Amélia dotou a Capital lusa de uma excepcional coleção de coches pertencentes à Coroa portuguesa, fabricados desde o século XVII até finais do século XIX.

Quando da implantação da República, em 1910, o acervo do Museu foi enriquecido com outros veículos, não só da Coroa, mas também do Patriarcado de Lisboa e de algumas casas nobres portuguesas.

Desejosos de admirar o belo, anualmente a ele acorrem cerca de 300 mil visitantes, para ver a mais importante e valiosa coleção de viaturas reais de todo o mundo.

Quem percorre o Museu Nacional dos Coches se encanta com a harmoniosa combinação do útil aliado ao ornato.

Entendiam os homens de então que os objetos de uso deveriam atender não apenas ao aspecto prático, à comodidade do corpo, mas sobretudo alimentar o espírito com dignidade e beleza, chegando mesmo ao esplendor em matéria de forma e de requinte.

No fundo, era a procura de transformar a terra em algo à maneira do Paraíso. Em outras palavras, eles corresponderam às graças recebidas no Batismo foram dóceis ao conselho do Divino Mestre: “Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito”.

E por isto tiveram almas capazes de engendrar essas maravilhas.