Grande influência sobre a minha própria vida

São Luís Maria Grignion de Montfort compôs o Tratado da Verdadeira Devoção à Virgem Santíssima no início de 1700, mas o manuscrito permaneceu praticamente desconhecido por mais de um século. Quando, afinal, quase por acaso, foi descoberto em 1842 e publicado em 1843, teve sucesso imediato […].

A doutrina deste Santo exerceu uma profunda influência sobre a devoção mariana de muitos fiéis e sobre a minha própria vida. Trata-se de uma doutrina vivida, de grande profundida de ascética e mística, expressa com um estilo vivo e fervoroso, que usa com frequência imagens e símbolos.

Contudo, a teologia mariana desenvolveu-se muito, sobretudo mediante o contributo decisivo do Concílio Vaticano II. Por conseguinte, hoje, deve ser lida novamente e interpretada à luz do Concílio a doutrina montfortiana, a qual conserva de igual modo a sua substancial validade. […]

Indizível comunhão de amor entre Maria e Jesus

A devoção à Santa Virgem é um meio privilegiado “para encontrar Jesus Cristo, para O amar com ternura e para O servir com fidelidade”. 1

Este desejo central de “amar com ternura” é imediatamente dilatado numa fervorosa oração a Jesus, pedindo a graça de participar na indizível comunhão de amor que existe entre Ele e a sua Mãe.

A conexão total de Maria com Cristo, e, n’Ele, com a Santíssima Trindade, é antes de mais experimentada na observação:

Todas as vezes que pensas em Maria, Maria louva e honra contigo a Deus. Maria está toda em conexão com Deus, e com toda propriedade eu a chamaria a relação de Deus, que só existe em relação a Deus; o eco de Deus, que só diz e repete Deus.

Se dizes Maria, Ela repete Deus. Santa Isabel louvou Maria e proclamou-a bem-aventurada porque acreditou. Maria, o eco fiel de Deus, entoou: Magnificat anima mea Dominum – a minha alma glorifica o Senhor.

O que Maria fez naquela ocasião, repete-o todos os dias. Quando Ela é louvada, amada, honrada ou recebe algo, Deus é louvado, Deus é amado, Deus recebe pelas mãos de Maria e em Maria. […]2

A santidade, perfeição da caridade 

A santidade é perfeição da caridade, daquele amor a Deus e ao próximo que é o objeto do maior mandamento de Jesus, e é também o maior dom do Espírito Santo. […] 

Na espiritualidade montfortiana, o dinamismo da caridade é expresso especialmente através do símbolo da escravidão do amor a Jesus, a exemplo e com a ajuda materna de Maria.

Não há nada entre os cristãos que faça pertencer de maneira mais absoluta a Jesus Cristo e à sua Santa Mãe como a escravidão da vontade, segundo o exemplo do próprio Jesus Cristo, que assumiu a condição de escravo por amor a nós, e da Santa Virgem, que se considerou serva e escrava do Senhor.3

 


1 Tratado da Verdadeira Devoção, 62.
2 Tratado da Verdadeira Devoção, 225.
3 Tratado da Verdadeira Devoção, 72.