Caros irmãos no Episcopado, quero dizer-vos, antes de tudo, que a vossa proximidade aos dois movimentos, enquanto sublinha a vitalidade dessas novas associações de fiéis, manifesta também aquela comunhão entre carismas que constitui um típico “sinal dos tempos”.
A Exortação Pós-Sinodal Pastores gregis recorda que “os contactos dos Bispos entre si (…) superam amplamente os seus encontros institucionais”.[1]
É o que sucede também em congressos como o vosso, nos quais se experimenta uma fraternidade episcopal que tira da partilha dos ideais promovidos pelos movimentos um estímulo a tornar mais intensa a comunhão de corações, mais forte o recíproco apoio e mais partilhado o compromisso de mostrar a Igreja como lugar de oração e de caridade, como casa de misericórdia e de paz.
O meu venerado Predecessor, João Paulo II, apresentou os movimentos e as novas comunidades nascidas naqueles anos como um dom providencial do Espírito Santo à Igreja para responder de maneira eficaz aos desafios do nosso tempo.
Também eu, em outras ocasiões, tive possibilidade de sublinhar o valor da sua dimensão carismática.
Através dos bispos se realiza a unidade dos carismas
Como esquecer, por exemplo, a extraordinária Vigília de Pentecostes do ano passado, que viu a participação de numerosos movimentos e associações eclesiais?
Está viva ainda em mim a comoção que senti ao participar na Praça de São Pedro de uma tão intensa experiência espiritual. Repito-vos quanto disse então aos fiéis vindos de todas as partes do mundo, isto é, que a multiformidade e a unidade dos carismas e ministérios são inseparáveis na vida da Igreja.
O Espírito Santo quer a multiformidade dos movimentos a serviço do único Corpo que é justamente a Igreja. E realiza isso através do ministério daqueles que Ele colocou para reger a Igreja de Deus: os bispos em comunhão com o Sucessor de Pedro.
Essa unidade e multiplicidade existentes no Povo de Deus se manifestam de certo modo também hoje, estando aqui reunidos com o Papa tantos Bispos próximos a dois movimentos eclesiais caracterizados por uma forte dimensão missionária.
Alegria da fé e beleza de ser cristãos
No rico mundo ocidental onde, embora estando presente uma cultura relativista, não falta ao mesmo tempo um difuso desejo de espiritualidade, vossos movimentos testemunham a alegria da fé e a beleza de ser cristãos.
Nas vastas áreas deprimidas da terra, eles comunicam a mensagem da solidariedade e se fazem próximos aos pobres e aos fracos com aquele amor, humano e divino, que eu quis repropor à atenção de todos na Encíclica Deus caritas est.
Da comunhão entre Bispos e movimentos pode, portanto, surgir um impulso válido para um renovado compromisso da Igreja no anúncio e no testemunho do Evangelho da esperança e da caridade em todos os cantos do mundo. (…)
Caros amigos, a original fraternidade existente entre vós e os movimentos dos quais sois amigos vos leva a carregar juntos “os pesos uns dos outros” (Gl 6, 2) como recomenda o Apóstolo, sobretudo no que concerne à evangelização, ao amor aos pobres e à causa da paz.
O Senhor torne sempre mais profícuas as vossas iniciativas espirituais e apostólicas.
Eu vos acompanho com a oração e concedo com muito agrado a Bênção Apostólica aos presentes, ao Movimento dos Focolares e à Comunidade de Santo Egídio, e aos fiéis confiados aos vossos cuidados pastorais.