Port-au-Prince

A viagem foi organizada com rapidez, fixando-se a data da partida para o dia 24 de março. Quatro arautos canadenses acompanharam o Pe. Bandet, além do Diác. Juan Pablo Merizalde, EP, que partiu da República Dominicana.

Logo que os missionários arautos se aproximaram de Port-au-Prince, desvendaram-se perante seus olhos os sinais da catástrofe: bairros inteiros em ruínas, pessoas morando sem abrigo nas ruas, barracas de lona espalhadas por toda parte.

Atraídos pelo hábito dos arautos, grupos de haitianos se aproximavam do Pe. Bandet, pedindo-lhe a bênção e especiais orações por seus familiares falecidos ou flagelados. 

Na festa da Anunciação, a Imagem Peregrina foi levada à Paróquia da Divina Misericórdia, onde Dom Pierre-André Dumas, Bispo de Anse-à-Veau e Miragoâne, e diretor da Cáritas Haiti, presidiu a Eucaristia perante uma multidão emocionada de fiéis.

“Não fiquem aflitos – disse-lhes Dom Dumas –, porque o Imaculado Coração de Maria triunfará!”

E expressou a gratidão de todos com as palavras: “A generosidade e o amor dos Arautos ao povo haitiano é um conforto e um grande exemplo de fraternidade cristã”. 

A imagem foi também venerada em diversas paróquias, nas quais foram promovidos terços, Missas, Vias Sacras e procissões em honra de Nossa Senhora.

No Santuário de Nossa Senhora de Altagrâce, a vice-prefeita de Port-au-Prince, Nadège Joachim Auguste, representando o prefeito, Muscadin Jean-Yves Jason, agradeceu a missão evangelizadora e o apoio humano dos Arautos, rogando uma bênção para ela e para toda a  cidade.

Particularmente tocantes foram as visitas aos acampamentos de refugiados, onde moram milhares de famílias em condições muito precárias.

Diocese de Anse-à-Veau e Miragoane 

A convite de Dom Dumas, a imagem foi conduzida às cidades de Anse-à-Veau e Miragoâne, que dão o nome à Diocese.

Para chegar até lá, foi preciso percorrer de jipe, por mais de 5 horas, um íngreme caminho que contorna os rios que o atravessam.

A população é constituida por pessoas muito simples, em sua maioria, que vivem em cabanas sem água corrente. Porém, por sua robusta fé, impressionaram os missiónarios arautos.

Apesar de haver sido uma comunicação de última hora, grande número de jovens compareceu à Missa na Catedral de Santa Ana. Logo a seguir, realizou-se uma improvisada Via Sacra.

Atrás da cruz, portada por Dom Dumas, seguia a Imagem Peregrina de Nossa Senhora, aos ombros dos jovens do lugar.

À medida que se iam sucedendo as estações, o número de fiéis aumentava, assim como o seu fervor. Ao retornar ao templo havia já cerca de mil pessoas. 

Sentir-se amado pelos irmãos na fé

Durante o encontro que tiveram com Dom Joseph Lafontant, Administrador Apostólico de Port-au-Prince, e Dom Hubert Constant, OMI, presidente da Conferência Episcopal do Haiti, os arautos puderam sentir, ainda melhor, o quanto Port-au-Prince e muitas outras cidades do país necessitam com urgência de muito auxílio material.

Só na capital, das 83 igrejas, 50 foram danificadas ou destruídas. Entretanto, o que os haitianos mais precisam no momento, para enfrentar as adversidades, é sentir-se amados por seus irmãos na fé.

Por isso foi tão frequente os arautos ouvirem, como fórmula de agradecimento: “Obrigado por terem se lembrado de nós!”

Consolo espiritual, Maio 2010

Inocência infantil

Nos acampamentos de desabrigados, as crianças recebiam com respeito e avidez as estampas de Nossa Senhora, medalhas e outros objetos religiosos distribuídos pelos arautos.

Inocência infantil, Maio 2010