Transpondo vales e montes, as legiões romanas dilataram as fronteiras daquele que foi o mais poderoso império da Antiguidade. Sobre as intermináveis fileiras de soldados, drapejavam os lábaros vermelhos e as águias, símbolos do invencível Império.

Não foram os exércitos da Cidade Eterna os primeiros a levantar estandartes e pendões para simbolizar sua nação e orientar seus combatentes. Anteriormente, outros povos antigos, como os egípcios e os babilônios, deles se utilizavam.

Sem dúvida, porém, a força da cultura latina e a longa duração do Império Romano fizeram o seu uso marcar para sempre os costumes dos homens.

E desde então, não mais se ouviu falar de um exército ou um país que não ostente com ufania uma vistosa bandeira sobre seus homens e seus edifícios.

Bandeiras de todos os formatos, cores e tamanhos desfilaram pela História. Algumas famosas, outras quase despercebidas. Umas reluzentes e vitoriosas, outras cobertas pela vergonha do fracasso.

Um brilhante escritor francês traçou a trágica sina destas últimas: como pássaros de asas quebradas, incapazes de voar, elas pendiam murchas de seus mastros, jamais ondulariam novamente ao vento…

Duas bandeiras, porém, estão para sempre gravadas na memória e nos corações cristãos. Símbolos de destinos diametralmente opostos, uma marcada pela dor da derrota, a outra, pelo esplendor da vitória.

A primeira associou-se de modo terrível à mais misteriosa das derrotas: a do próprio Homem-Deus.

Esperança de um povo que O desejou durante milênios, venerado como o maior dos profetas, admirado como rei a ser coroado, temido pelas mais altas autoridades civis e religiosas do tempo, Jesus Cristo surpreendeu a todos com sua morte na Cruz.

Todas as esperanças pareciam ter sido sepultadas com Ele, sob a fria laje do sepulcro. Cobrindo seu corpo enrijecido, uma triste mortalha. Aquele pedaço de pano tornou-se a bandeira do supremo insucesso.

Ela jamais foi hasteada, nunca flutuou sobre um mastro nem sentiu o vento da glória a voltear suas dobras. Durante os três dias de que nos falam as Escrituras, aquela bandeira de dor foi a única companhia do Messias morto.

Mas bem sabemos que a suposta derrota de Jesus foi efêmera, e assim mesmo, cumprindo desígnios divinos. Às primeiras horas do terceiro dia, Ele gloriosamente ressuscitou.

Entrava em cena a segunda bandeira. Esse acontecimento magnífico foi consagrado pela iconografia cristã, que passou a representar o Cristo Ressurrecto tendo à sua mão direita um estandarte de glória, símbolo de sua vitória sobre a morte.

A morte, senhora dos campos de batalha, jazia prostrada pelo poder de Jesus Cristo. Vencedor também do demônio, o Salvador abria aos homens as portas do Céu. Poderia haver triunfo maior?

O mesmo Senhor portou as duas bandeiras opostas, durante o tempo que habitou nesta terra de exílio. Seus ombros sustentaram, em momentos diversos, a maior derrota e a maior vitória que jamais houve na História.

E nos deixou, como testemunhas de ambas, os símbolos da Bandeira da Dor e da Bandeira da Glória, as quais nos dão este ensinamento: para quem vive e espera sob o estandarte de Jesus Cristo, não há sofrimento, não há derrota, não há dor nem morte que não redunde, por fim, em vitória para a Santa Igreja por Ele fundada.

Batizados, carregamos ao longo da vida o peso de nossas respectivas cruzes. Morrendo, havemos de participar do triunfo d’Ele sobre a morte e portaremos a vitoriosa Bandeira da Glória.