Quão fácil é corrigir com excessivo rigor, sobretudo quando se trata de um defeito alheio que nos causa incômodo! Na parábola do joio e do trigo, porém, Nosso Senhor Jesus Cristo nos indica um caminho diferente. A verdadeira autoridade não se exerce apenas pelo poder, mas é fecundada pela caridade e pela paciência, como recorda o Livro da Sabedoria: “A tua força é princípio da tua justiça, e o teu domínio sobre todos te faz para com todos indulgente” (12, 16).
No relato evangélico, o inimigo – o diabo – busca arruinar a colheita, ao semear o joio. Diante dessa adversidade, Deus não age com precipitação: exerce a longanimidade, na esperança de uma conversão. Primeiro, pondera: “Pode acontecer que, arrancando o joio, arranqueis também o trigo”; depois, espera com clemência: “Deixai crescer um e outro até a colheita”. Caso o joio persevere na sua artimanha e não se arrependa, será arrancado e amarrado “em feixes para ser queimado” (Mt 13, 29-30).
O ensinamento contido nesta parábola divina frutificou nos séculos de ouro da Cristandade, servindo de paradigma para reis santos como São Luís de França e São Fernando de Castela. Esses monarcas compreenderam que a autoridade precisa ser exercida de acordo com os preceitos divinos: por sua bondade, protegeram e incentivavam o bem com paternal solicitude; por dissuasão, reprimiram exemplarmente o mal que ameaçava o trigo de seus reinos.
Poder-se-ia objetar que, deixando crescer os dois juntos, corre-se o risco de que o joio, por ser mais agressivo, acabe por sufocar o trigo. Sem embargo, o dono do campo, com divina prudência, aguarda a maturação dos frutos. Com o passar dos meses, a diferença se faz patente: as espigas de trigo, carregadas de grãos, inclinam-se humildes; o joio ergue-se com empáfia, mas sem frutificar. O trigo verdadeiro não se deixa vencer pelo joio; enfrenta-o com paciência até o fim. É esse o momento de proceder, com energia e sem vacilação, à definitiva separação.
Aplicando ao contexto da Igreja, muitos passam por bons católicos, enquanto no íntimo operam como ervas daninhas no jardim do Senhor… De fato, na época da colheita fica evidente o abismo que separa um do outro: o trigo traz em si a marca da caridade; o joio serve só a si mesmo, é estéril. Por isso, merece o fogo.
A sentença final do dono do campo é, portanto, de uma justiça absoluta: separar quem vive no espírito de serviço e na paciência das boas obras, daqueles que, movidos pelo espírito de soberba, consumiram suas vidas em busca da aparência por cima dos trigais.
Quanto tempo falta para a colheita final? Não sabemos. De todos os modos, mesmo que por vezes nos sintamos sufocados pelo joio e debilitados pela adversidade, tenhamos certeza de que “o Espírito vem em socorro da nossa fraqueza” (Rm 8, 26). Através d’Ele permanecemos firmes espigas de trigo, sob a proteção da Virgem Maria. Assim, jamais seremos consumidos pelo fogo infernal destinado àqueles que abraçaram o joio do demônio.