Com frequência cada vez maior, sinais colhidos junto a setores diversos da juventude nos trazem ao conhecimento fatos que, há poucos anos atrás, nos pareceriam improváveis e até mesmo inverossímeis.
Refiro-me hoje especialmente a uma tendência que se delineia em certos ambientes educacionais modernos.
Com efeito, algumas reportagens da imprensa nacional chamam a atenção para um fenômeno bem sintomático: a adoção de uniforme de gala em um estabelecimento escolar de alto nível, de Brasília.
O tênis será trocado pelo sapato. No lugar da malha, a calça social preta ou a saia xadrez. A camiseta vai ser substituída pela camisa branca com botões e mangas compridas. O pescoço ostentará uma gravata vinho.
Os 360 estudantes da sétima e da oitava séries do ensino fundamental do Colégio Galois terão de vestir uniformes de gala, como nos velhos tempos. A intenção é resgatar os valores tradicionais e melhorar a postura dos adolescentes.
É realmente louvável esta intenção de “melhorar a postura dos adolescentes”. Quantas vezes a vulgarização dos uniformes escolares acabou por ofuscar aquilo que o estudo, enquanto atividade do espírito, tem de nobre e elevado!
Segundo a mesma reportagem, “a nova roupa terá de ser usada obrigatoriamente uma vez por semana. Na ocasião, os estudantes terão lições de bom comportamento e aprenderão a se portar em eventos solenes”.
“Lições de bom comportamento”. O convívio social só tem a ganhar com isso. Antes de tudo, cada um deseja ser respeitado, qualquer que seja sua condição social ou idade.
E a escola, juntamente com a família, é o primeiro cadinho onde a criança e o adolescente aprendem a conviver em sociedade.
Com lições de bom comportamento, compreenderão que não podem querer fazer prevalecer suas preferências ou caprichos, em detrimento do direito dos outros. Saberão, assim, serem pessoas de trato agradável e ameno, atraindo muitos amigos.
A primeira experiência com o novo uniforme ocorreu no Santuário Dom Bosco, na Missa que marcou a abertura do ano letivo.
Embora no início tenha causado estranheza, a iniciativa do Galois conquistou grande parte dos pais de alunos, os quais agora estão eufóricos. “Essa iniciativa do colégio é muito bem-vinda”, afirmou uma empresária de 42 anos, que tem sua filha no colégio.
“Senti-me na Europa, foi muito lindo! Sem falar que me trouxe boas recordações. Quando eu era estudante, os uniformes eram assim” – declarou outra mãe de aluna.
A idealizadora dos uniformes de gala – Dulcineia Nakamura, Diretora do colégio – explica as razões de sua iniciativa: “A moda de hoje tem deixado as meninas deformadas. Elas se sentam e se portam como homens. Perderam o glamour e a elegância feminina”.
Com razão. Somente certos trajes tipicamente femininos são capazes de transmitir a elegância própria às adolescentes. Por que, então, querer masculinizá-las para enquadrá-las num ditame da moda?
O projeto do Galois inclui também aulas de como se portar à mesa, em coquetéis e exposições de arte. Entre outras coisas, os alunos aprenderão a usar os talheres, a não colocar cotovelos sobre a mesa e a retirar o prato que usam.
Pois, segundo opina a Diretora, “não adianta preparar o indivíduo intelectualmente e não formar o cidadão”.
E a Coordenadora Pedagógica, Maria Cecília Migliaccio, acrescenta: “A proposta da escola é resgatar os bons modos. Mostrar ao aluno que ele precisa aprender a ceder para viver em sociedade”.
Não parece supérfluo insistir neste ponto: que belo ornato para uma pessoa saber aliar boas maneiras ao grande conhecimento técnico ou científico!
Alguém pode até ser um grande gênio, um superdotado, mas se, no convívio social, não é capaz de se portar com adequação e mesmo com certo charme, fica muito reduzido em sua personalidade.
O projeto de Dulcineia Nakamura para 2010 é implantar o uniforme de gala obrigatório todos os dias. Mas ela acredita que, antes mesmo desse prazo, as demais escolas particulares do Distrito Federal irão aderir à ideia da roupa social no dia a dia.