Queridos irmãos e irmãs,
Este é um belo momento para a Igreja, que acolhe os candidatos às Ordens Sagradas. Depois de terem sido devidamente preparados, escrutinados, puderam hoje ser apresentados aqui diante do Ministro Ordenante, com o pedido de sua ordenação.

E pela palavra tranquila e firme do seu superior, foram declarados dignos deste ministério, na medida em que a condição humana pode ser considerada digna de tão grande dom de Deus.

“Eu ponho minhas palavras em tua boca”

De fato, a primeira leitura, do profeta Jeremias, coloca em evidência o grande dom de Deus, na fragilidade humana: “Eu te consagrei e te fiz profeta das nações”. Jeremias, ainda jovem, sente-se totalmente inadequado: “Ah! Senhor Deus, eu não sei falar, sou muito novo”.

Mas o Altíssimo replica-lhe: “Não tenhas medo, pois estou contigo. Eu ponho minhas palavras em tua boca, e a todos aqueles a quem Eu te enviar, tu irás. E as palavras que Eu te mandar dizer, tu dirás”.

E Jeremias desempenha sua missão de profeta, apoiado inteiramente na graça de Deus, apesar de sua fraqueza, que continuará presente em sua vida e de tempos em tempos lhe cobrará o seu tributo.

Jeremias sofre, mas desempenha sua missão profética, deixando claro que ela não é obra do homem, mas de Deus, o qual age na nossa fragilidade e realiza o seu desígnio. 

Também hoje, quer Ele atuar na Igreja através de pessoas humanas que, estando embora a caminho da santificação, exortadas sempre a manifestar em sua vida o brilho da santidade, evidentemente continuam humanas.

Assim, Jesus Cristo concede o seu dom a pessoas que Ele escolhe, confiando-lhes a divulgação do Evangelho, o encargo do pastoreio, a missão de celebrar os Santos Mistérios para a santificação do povo de Deus, como sacerdotes, como mediadores da graça de Deus entre os homens.

Jesus quer agir através de vós

Na segunda leitura, São Paulo alerta que quem é chamado a tão grande graça deve viver um constante processo de conversão, precisa praticar pessoalmente aquilo que ele prega: o Evangelho da alegria, da paz, da reconciliação, o Evangelho do perdão.

E, por isso mesmo, colocar-se também na atitude de penitente, de quem necessita do perdão de Deus, para melhor poder servir a misericórdia de Deus aos irmãos, no ministério sacerdotal.

Jesus nos conforta no Evangelho. Na Última Ceia, reunido com os seus, num momento de despedida, Ele, com muito afeto, se dirige aos doze e diz: “Vós sois meus amigos”. Jesus nos faz seus amigos, e por isso podemos sempre contar com Ele.

Podemos ter certeza de que Ele quer agir conosco e através de nós, para exercermos o sagrado ministério de maneira menos indigna e, sobretudo, com eficácia, apoiando-nos no Espírito do Pai e do Filho que age por nosso intermédio.

Por isso, queridos candidatos ao diaconado e ao presbiterado, que a Palavra de Deus há pouco proclamada no contexto desta celebração e do Advento, na expectativa do Natal que se aproxima, que essa Palavra de Deus vos possa servir de luz, de orientação e de conforto, e que a ela vós retorneis com frequência.

Significado do sagrado ministério

E agora desejo apresentar-vos a exortação que a Igreja propõe para o Rito da Ordenação, não só por ser muito bonita, mas também porque, em palavras concisas, explica o que significa o sagrado ministério e a missão conferida a quem o recebe:

Caríssimos irmãos e irmãs, já que estes nossos irmãos vão ser agora ordenados diáconos e presbíteros, considerai com atenção o serviço que vão prestar. Servirão ao Cristo, supremo mestre, sacerdote e pastor, edificando permanentemente a Igreja como povo de Deus, Corpo de Cristo e templo do Espírito Santo.

Unidos ao sacerdócio dos Bispos, os presbíteros e diáconos dedicar-se-ão a anunciar o Evangelho, a santificar e apascentar o Povo de Deus, a celebrar o culto divino, especialmente no sacrifício do Senhor. Por isso, em todas as coisas, de tal modo procedam, com a graça de Deus, que possam ser reconhecidos como seguidores d’Aquele que não veio para ser servido, mas para servir.

Diáconos: mostrai em vossos atos a palavra que proclamais

Quanto a vós, filhos caríssimos, que sereis ordenados diáconos, o Senhor vos deu o exemplo para que, assim como Ele fez, façais também vós. Em vossa condição de diáconos, isto é, de ministros de Jesus Cristo que Se manifestou servidor dos seus discípulos, cumpri generosamente a sua vontade.

E na caridade, servi com alegria, tanto a Deus como à humanidade. Sendo impossível servir a dois senhores, lembrai-vos de que toda impureza ou avareza é sujeição aos ídolos.

Como livremente procurais a ordem do diaconado, à semelhança dos que foram escolhidos pelos Apóstolos para o serviço da caridade, deveis ser homens de bem, cheios do Espírito Santo e da sabedoria. Exercereis o vosso ministério no estado do celibato. Na verdade, ele é um sinal e, ao mesmo tempo, um incentivo da caridade pastoral.

É incomparável fonte de fecundidade no mundo. Impelidos por um sincero amor a Cristo e vivendo com total dedicação neste estado, vos consagrareis mais facilmente a Cristo, com um coração sem partilha, podereis dedicar-vos mais livremente ao serviço de Deus e da humanidade e trabalhar com maior solicitude na obra da salvação eterna.

Enraizados e alicerçados na Fé, apresentai-vos de coração puro, irrepreensíveis diante de Deus e diante da humanidade, como convém a ministros de Cristo e dispensadores dos mistérios de Deus.

Não vos deixeis abalar em vossa confiança no Evangelho, do qual sois não somente ouvintes, mas servidores.

Guardando o mistério da Fé com consciência pura, mostrai em vossos atos a palavra que proclamais, a fim de que o povo cristão, vivificado pelo Espírito Santo, se torne uma oblação pura, agradável a Deus.

Desta forma, também vós, no último dia, podereis ir ao encontro do Senhor e ouvir dEle estas palavras: “Servo bom e fiel, entra na alegria do teu Senhor”.

Presbíteros: exercei em Cristo a função de santificar

Quanto a vós, caríssimos filhos que sereis ordenados presbíteros, devereis cumprir no Cristo Mestre a vossa função de ensinar. Transmiti a todos a Palavra de Deus, que recebestes com alegria. Meditando na lei do Senhor, procurai crer no que lerdes, ensinar o que crerdes, praticar o que ensinardes.

Seja, portanto, a vossa pregação, alimento para o Povo de Deus e a vossa vida, estímulo para os fiéis, de modo a edificardes a casa de Deus, isto é, a Igreja, pela palavra e pelo exemplo. Exercei também em Cristo a função de santificar.

Por vosso ministério o sacrifício espiritual dos fiéis atinge a plenitude, unindo-se ao sacrifício de Cristo que, por vossas mãos, é oferecido sobre o altar ao celebrardes os Sagrados Mistérios.

Tomai consciência do que fazeis e ponde em prática o que celebrais. De modo que ao celebrar o mistério da Morte e Ressurreição do Senhor, vos esforceis por mortificar o vosso corpo, fugindo dos vícios para viver vida nova.

Incorporando os seres humanos ao Povo de Deus, pelo Batismo, perdoando os pecados em nome de Cristo e da Igreja, pelo Sacramento da Penitência, confortando os doentes com a Sagrada Unção, celebrando os ritos sagrados, oferecendo nas diversas horas do dia louvores e súplicas e ação de graças a Deus, não só pelo Povo de Deus, como por todo o mundo, lembrai-vos de que fostes escolhidos dentre os homens e colocados a serviço deles nas coisas de Deus.

Tende sempre diante dos olhos o exemplo do Bom Pastor

Desempenhai, portanto, com verdadeira caridade e contínua alegria a missão do Cristo Sacerdote, procurando não o que é vosso, mas o que é do Cristo.

Finalmente, caríssimos filhos, participando da missão do Cristo, Pastor e Chefe, procurai, unidos e submissos ao Bispo, reunir os fiéis numa só família, a fim de conduzi-los a Deus Pai, por Cristo, no Espírito Santo.

Tende sempre diante dos olhos o exemplo do Bom Pastor, que não veio para ser servido, mas para servir e para buscar e salvar o que estava perdido.

 

Homilia na Missa de ordenação diaconal e presbiteral, celebrada na igreja do Seminário dos Arautos do Evangelho, em 20/12/2008.